18/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Tarifa de ônibus derruba diretor de Transporte da Prefeitura e reajuste é revogado

Publicado em 19 de dezembro, 2020

Tarifa de ônibus derruba diretor

Tarifa de ônibus derruba diretor de Transporte Pedro Carvalho (foto), que, há décadas, é uma espécie de coringa em cargos-chaves do transporte coletivo de Manaus

O diretor de Transportes do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), Pedro Carvalho, foi demitido neste sábado (19/12). Ele teria sido o responsável pelo anúncio da nova “tarifa técnica” de ônibus em Manaus, no valor de R$ 4,51. O ato de demissão dele foi publicado no mesmo Diário Oficial em que a tarifa foi revogada pelo prefeito Arthur Virgílio.

O IMMU é o órgão que reúne as atribuições da antiga Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) e do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans). O presidente é o ex-presidente e fundador do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), Francisco Bezerra. Bezerra foi o interventor no transporte coletivo de Manaus, pela Prefeitura, até janeiro deste ano, quando a intervenção foi revogada.

 

“Tarifa técnica”

Os termos técnicos usados nos atos oficiais envolvendo o transporte coletivo confundem os leigos. “Tarifa técnica”, por exemplo, é diferente daquela cobrada dos usuários de ônibus. Ela define o preço real da passagem. Hoje, por exemplo, o passageiro paga R$ 3,80. E a Prefeitura pagaria a diferença para os R$ 4,51, que seriam estabelecidos e foram revogados.

O público leigo criticou duramente o prefeito Arthur Virgílio, depois do anúncio. A maioria reclamava da crueldade de aumentar o preço da passagem de ônibus, a 12 dias do fim do mandato. Arthur passa o comando da Prefeitura de Manaus para David Almeida, prefeito eleito e diplomado, no dia 1º de janeiro. Ninguém entendeu que o poder municipal pagaria a diferença e o preço para o passageiro permaneceria o mesmo – embora, via impostos, em última análise, seja o contribuinte que paga a conta do subsídio.

O subsídio havia sido abolido do sistema de transporte de Manaus, quando o prefeito reajustou a tarifa para R$ 3,50. Em janeiro de 2020, porém, a Câmara Municipal autorizou a volta do pagamento da diferença entre o que o passageiro paga e o “valor real” da tarifa. A Prefeitura foi autorizada, pelos vereadores, a pagar essa diferença, definida mês a mês.

Os empresários, desde então, emitem todos os meses uma “planilha de custos do sistema”. A Prefeitura tem o controle da bilhetagem eletrônica e das catracas. É feito o cálculo e a diferença é paga às empresas.

O prefeito eleito David Almeida chegou a dizer que o preço da passagem de ônibus em Manaus estava em R$ 5,10. Ele baseou o cálculo nas informações obtidas na Comissão de Transição. A Prefeitura teria pago, em média, R$ 13 milhões/mês às empresas, para manter a saúde do sistema. Os empresários alegam que o número de passageiros por dia, com a pandemia de coronavírus, caiu de 650 mil para 450 mil.

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