
Nilson Chaves (foto) estava abatido e não escondeu a emoção ao deixar a UTI, onde ficou entre a vida e a morte por conta da Covid-19
O hall de entrada da Santa Casa de Misericórdia, em Belém (PA), virou palco de uma consagração. O cantor Nilson Chaves, 69 anos, deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sob aplausos de funcionários e circundantes. O artista foi às lágrimas quando entoaram sua composição “Sabor marajoara” (“Põe tapioca, põe farinha d’água/ Põe açúcar, não põe nada/ Ou me bebe como um suco/ Que eu sou muito mais que um fruto/ Sou sabor marajoara/ Sou sabor marajoara/ Sou sabor…”).
Nilson adoeceu no início de outubro. Teve um falso negativo para Covid-19 e depois a confirmação da infecção. O quadro se agravou e ele foi transferido, da Policlínica Itinerante do Hangar para a Santa Casa. Há 21 dias, já na UTI, precisou ser intubado. Chegou a correr a informação de que ele havia falecido, o que provocou imediata consternação de artistas nos dois Estados.
Abatido e em cadeira de rodas, Nilson carregava uma plaquinha, em forma de coração, onde estava escrito “Nós vencemos a Covid-19”. Ele não conteve a emoção quando ouviu o coro com um de seus maiores sucessos.
Carlos Nilson Batista Chaves vive garimpando músicas de compositores talentosos, em toda a Amazônia. Dono de uma interpretação acurada e voz suave, Nilson é quase “arroz de festa” em Manaus. A carreira dele, no entanto, se divide principalmente entre Rio de Janeiro, onde é também produtor musical, e o Pará.
Em 2000, com o CD “25 anos ao vivo”, foi indicado para o Grammy Latino, categoria Melhor Álbum de Música regional ou de Raízes Brasileiras.
Em maio de 1994, com a faixa “Passarinho e homem”, no álbum “Não peguei o Ita”, venceu o Prêmio Sharp de Melhor Arranjo.
Ao lado do violonista santareno Sebastião Tapajós, consagrado internacionalmente, em 1997, lançou “Amazônia brasileira”. O espetáculo base percorreu várias cidades europeias.
Ney Matogrosso, Chico César, Flávio Venturini e Joyce estão entre os parceiros de palco do artista. “Que alívio. A gente ficou meio sem chão quando noticiaram o agravamento da saúde dele e nem sei descrever como encarei a notícia da morte. Ainda bem que ele está saindo dessa. O Nilson é um patrimônio, além de, pessoalmente, ser uma figura humana espetacular”, disse Cocó Rodrigues, cantor da noite manauara e amigo.
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