04/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Secretário detalha volta às aulas em Manaus e prevê conclusão do ano letivo em dezembro 

Publicado em 03 de agosto, 2020

Secretário de Educação do Amazonas, Luis Fabian (foto), concedeu entrevista ao Portal do Marcos Santos, nesta segunda-feira. Foto: PMS

Manaus está em contagem regressiva para a volta das aulas presenciais da rede estadual. Nesta segunda-feira (3/8), o secretário estadual de Educação, Luis Fabian Barbosa, detalhou os protocolos que deverão ser seguidos pelos alunos, professores e demais servidores, nas escolas. Em entrevista ao Portal do Marcos Santos, Luis Fabian afirmou que, com a retomada das aulas na próxima segunda, 10 de agosto, será possível cumprir o calendário letivo na capital até dezembro deste ano. Acompanhe os detalhes no texto e assista à entrevista, ao final.

Ainda não há previsão para retorno das aulas da rede estadual no interior do estado. Também não há previsão para a volta das aulas da rede municipal de Manaus.

Segundo o titular da Secretaria de Estado de Educação e Desporto, o plano de retorno às atividades presenciais da rede estadual da capital vem sendo construído ao longo dos últimos 60 dias. As aulas da rede estadual foram suspensas no dia 16 de março deste ano, em razão da pandemia de Covid-19.

O secretário destacou que o plano reuniu a “expertise” de mais de cem técnicos da Seduc. A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) autorizou a pasta a desenvolver o plano. “Isso só possível porque nós recebemos da Fundação de Vigilância em Saúde o aval para esse retorno”, enfatizou Luis Fabian.

De acordo com o secretário, o plano se sustenta em três grandes eixos. “Um eixo pedagógico, um eixo de cuidados com a saúde sanitária e um eixo de cuidados com a saúde socioemocional, psicossocial dos nossos colaboradores”, detalhou.

Equipe do Portal do Marcos Santos entrevistou o secretário Luis Fabian. Foto: PMS

Detalhes do Plano de Biossegurança

Conforme Luis Fabian, o plano de retomada das aulas tem orientações detalhadas que envolvem todas as atividades das escolas. “Temos protocolos para condutas de professores e alunos em sala de aula. Temos protocolos para limpeza de cozinhas, protocolos para limpeza de ar-condicionados”, listou.

A Seduc também adquiriu Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), que serão distribuídos entre os servidores e os alunos. “Conseguimos recursos na ordem de R$ 10 milhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento [BID], realizamos uma licitação pública nacional e adquirimos mais de 1 milhão de máscaras de tecido antimicrobiano laváveis, tapetes sanitizantes, álcool em gel, dispensadores de álcool em gel, luvas”, disse.

De acordo com o secretário, ao chegar à escola, o aluno terá a temperatura aferida. “Ele vai limpar os seus pés em um tapete sanitizante”, afirmou. Também foram instaladas pias nas entradas das unidades de ensino e nas áreas de refeitório.

Os números de assentos – carteiras – foram reduzidos pela metade, nas salas de aula. “As turmas que, geralmente, tinham 30, 40 alunos vão ter 15 ou 20 alunos [por aula]”, afirmou.

Enquanto uma parte da turma estiver em sala de aula presencialmente, a outra metade acompanhará as atividades de forma remota, por meio do ‘Aula em Casa’.

Máscaras

Cada aluno que estuda em período parcial vai receber duas máscaras de proteção. Estudantes de tempo integral receberão quatro máscaras. Alguns servidores, como merendeiros e funcionários que atendem o público, vão receber viseiras.

O secretário garantiu que os EPIs já estão sendo recebidos pela Seduc e são enviados às escolas. “Aproveito para tranquilizar os nossos professores, os nossos trabalhadores da Educação: “não se preocupem com a falta de EPIs, porque nós adquirimos EPIs em quantidade suficiente para garantir o cuidado com todos até o final do ano letivo de 2020″”, disse.

Evasão e acolhida

Durante a entrevista, o secretário incentivou a acolhida aos estudantes. “Esse alunos estão retornando agora para as suas atividades e é preciso que nós celebremos a resiliência desses alunos. Ele passaram quatro meses em casa. Provavelmente, ficaram doentes ou têm parentes que ficaram doentes, parentes que, eventualmente, tenham vindo a óbito, ou pais que perderam seus empregos durante essa crise que foi gerada”, lembrou.

Ele ressaltou que o retorno das aulas na capital ocorre na semana em que se celebra o Dia do Estudante, 11 de agosto. “Nós vamos receber esses alunos na escola com muita alegria, mas sem deixar de prestar a devida atenção aos cuidados sanitários. Biossegurança acima de qualquer coisa, porque não há nada mais importante pra gente do que salvaguardar a vida e o bem estar de todos os nossos alunos e colaboradores. Nada é mais importante que isso, nem mesmo ano letivo”, enfatizou.

‘Aula em Casa’

O secretário destacou que o ‘Aula em Casa’ – com aulas remotas – foi lançado cinco dias após a suspensão das aulas presenciais. “Nós fomos o primeiro estado, a primeira rede pública no país a lançar uma solução de aulas remotas em redes públicas e com a qualidade avalizada [aprovada] por todos os órgãos que acompanham a educação no nosso estado. Tanto é verdade, que nós exportamos para cinco estados as nossas aulas preparadas aqui, no Centro de Mídias de Educação do Estado do Amazonas”, disse.

De acordo com o secretário, 4,5 milhões de alunos do Brasil acompanham as aulas produzidas no Amazonas. “Isso é motivo de muito orgulho”, avaliou.

Luis Fabian ressaltou que o projeto foi adaptado para que as aulas fossem transmitidas em TV aberta, por meio de parceria com a TV Encontro das Águas. A Seduc considerou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), que aponta que 98% das residências no Amazonas têm aparelho de TV. “Esse é o aparelho mais democrático, mais universalizado que nós temos. Então, a solução dada não exigia que os alunos tivessem acesso à internet para poder assistir às aulas”, afirmou.

Mesmo assim, o secretário disse entender que não foi possível atender a 100% dos estudantes e defendeu a volta das aulas presenciais. “Nós chegamos a um número de 75%, ou seja, 75% dos nossos alunos acompanharam, de alguma forma, o ‘Aula em Casa’. Mas, por melhor que seja a solução remota de aulas, nada substitui a presença do professor em sala de aula”, avaliou.

Avaliação da aprendizagem

Conforme o titular da Seduc, a secretaria fará uma medição qualitativa da aprendizagem dos alunos. Será checado o nível de aprendizagem em todos os conteúdos ministrados pelo ‘Aula em Casa’, para mensurar quanto o aluno, efetivamente, aprendeu ao longo dos últimos quatro meses.

A Avaliação de Verificação da Aprendizagem do Amazonas (Avam) será aplicada logo na segunda semana de aula presencial.

Calendário letivo

O secretário lembrou que o Conselho Nacional de Educação (CNE) flexibilizou a regra para o cumprimento do ano letivo em 2020. Devido à pandemia, o Ministério da Educação (MEC) autorizou que o ano letivo tenha menos de 200 dias, mas manteve a obrigatoriedade de 800 horas no ano para as escolas de todo o país.

“O Conselho Nacional de Educação flexibilizou os 200 dias letivos. Eu não preciso mais ter os 200 dias letivos, mas eu preciso implementar as 800 horas”, explicou.

De acordo com Luis Fabian, se as aulas presenciais forem retomadas na próxima semana, conforme planejado, será possível fechar o calendário letivo de Manaus este ano. “Se nós iniciarmos no dia 10 de agosto e não tivermos qualquer intercorrência, nós conseguiremos implementar as 800 horas até o meados do mês de dezembro”, garantiu.

A ideia da Seduc é finalizar o ano letivo na capital até a segunda ou terceira semana de dezembro de 2020.

Assista à entrevista: 

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