07/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

PF investiga realização de culto que reuniu cerca de 400 pessoas em Benjamin Constant

Publicado em 18 de maio, 2020

Culto teria sido realizado na comunidade indígena Feijoal. Esta imagem ilustrativa mostra parte urbana de Benjamin Constant Foto: Arquivo

A Delegacia de Polícia Federal de Tabatinga, no Amazonas, começou a investigar a realização de um culto na cidade de Benjamin Constant, durante a pandemia do novo coronavírus. A celebração religiosa teria reunido 400 pessoas, no dia 28 de março deste ano. As informações são do Ministério Público Federal (MPF), que pediu a investigação.

O MPF solicitou a instauração de inquérito policial para apurar a responsabilidade criminal do pastor evangélico e servidor da Coordenação Regional do Alto Solimões da Fundação Nacional do Índio (Funai) Davi Felix Cecílio. De acordo com o órgão, no dia 28 de março, foi realizado um grande culto religioso, na comunidade indígena Feijoal, localizada em Benjamin Constant.

Conforme a apuração do Ministério Público, aproximadamente 400 pessoas participaram do culto, celebrado durante período de restrições implementadas em função da pandemia de Covid-19.

No dia 31 de março, o MPF pediu a instauração de inquérito para apuração do crime previsto no art. 268, do Código Penal (Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa). Conforme o órgão, o pedido foi atendido pela Delegacia de Polícia Federal de Tabatinga no dia 12 de maio.

O desrespeito às medidas de isolamento social determinadas pelo poder público foi denunciado pela Procuradoria Federal Especializada junto à Funai. Segundo a denúncia, tanto a Coordenação Regional da Funai do Alto Solimões, quanto o Distrito Sanitário Indígena do Alto Solimões (DSEI/ARS) tentaram convencer o pastor a não realizar o evento, sem êxito.

“Antes de requerer a instauração do inquérito, o MPF ainda expediu ofícios, no dia 27 de março, à Coordenação Regional do Alto Solimões e ao DSEI sugerindo a adoção de diversas medidas para impedir a realização do culto religioso ou minorar os efeitos que poderia causar em razão de eventual aglomeração de pessoas no local, o que também não gerou resultados práticos”, destaca o MPF, por meio da assessoria de comunicação.

O inquérito segue em tramitação na Polícia Federal em Tabatinga, que deverá executar as diligências necessárias e remeter ao MPF para análise e manifestação.

Novas denúncias encaminhadas ao MPF dão conta de que outros cultos foram realizados na comunidade indígena Feijoal após o dia 28 de março e que moradores têm sido ameaçados por denunciarem essas violações. O Ministério Público afirmou que encaminhou as informações recebidas à Polícia Federal.

Medidas descumpridas

No pedido de instauração do inquérito à Polícia Federal, o MPF ressaltou o descumprimento de legislações municipal, estadual e federal: a Lei Federal 13.979/2020, de 06 de fevereiro de 2020, que autorizou as autoridades a adotarem, no âmbito de suas competências, o isolamento e a quarentena como medidas para enfrentarem o coronavírus; o Decreto nº 42.099, de 21 de março de 2020, editado pelo Governo do Estado do Amazonas, que suspendeu o funcionamento de todas as igrejas, templos religiosos, lojas maçônicas e estabelecimentos similares por 15 dias; e o Decreto n.º 080, de 23 de março de 2020, editado pela Prefeitura de Benjamin Constant (AM), o qual suspendeu, por 15 dias, eventos e atividades públicas e privadas com a presença do público, que envolvem aglomeração de pessoas.

O MPF afirmou que segue coordenando a apuração dos fatos, como parte de procedimento extrajudicial conduzido pelo órgão, e busca também conscientizar sobre a necessidade de distanciamento social, com respeito às regras de higiene e protocolos da Organização Mundial da Saúde (OMS), e a respeito da necessidade de resguardar as comunidades indígenas, restringindo a entrada e permanência de não moradores nessas comunidades.

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