05/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Saída de Moro do Ministério da Justiça repercute entre parlamentares do AM

Publicado em 24 de abril, 2020

Foto: Arquivo

Depois que o ex-juiz Sérgio Moro confirmou sua saída do Ministério da Justiça, o assunto dominou a pauta nacional e local. Parlamentares do Amazonas, inclusive aliados do presidente Jair Bolsonaro, comentaram o assunto e lamentaram a saída de Moro, que pediu demissão após Bolsonaro exonerar Maurício Valeixo da direção da Polícia Federal (PF). Parte dos políticos lamentou que o assunto tenha ganhado espaço neste momento em que o país enfrenta a pandemia do novo coronavírus.

Um dos parlamentares que comentaram a saída do ex-ministro foi o deputado federal Bosco Saraiva (Solidariedade-AM). O deputado disse que ex-juiz prestou relevantes serviços à justiça e ao povo brasileiro. “Lamento muito a saída do Dr. Sergio Moro do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, em um momento tão complicado da vida nacional, quando deveríamos estar todos, absolutamente todos unidos para vencer o novo coronavírus sem muitas perdas”, disse Bosco Saraiva, ao Portal.

O também deputado federal Sidney Leite (PSD-AM) lamentou a saída e considerou graves as denúncias feitas por Sérgio Moro. “Precisam ser apuradas pelo congresso. Antes de qualquer pedido de impeachment, é preciso apurar o que foi falado pelo ex-ministro da justiça. Agora, lamento profundamente essa situação, porque é tudo o que o Brasil não precisa. Estamos enfrentando uma crise na saúde e na economia por conta desta pandemia e enfrentar agora uma crise no governo, é algo bem complicado para o momento”, disse.

O deputado federal Pablo Oliva (PSL-AM), que é delegado federal e membro da frente parlamentar da Segurança Pública, a chamada ‘bancada da bala’, publicou, em suas redes sociais, que lamenta a saída de Moro. “Como um verdadeiro maestro, combateu a criminalidade e a corrupção no Brasil. Mantenho o meu compromisso com a autonomia e a independência da Polícia Federal nas investigações que resgataram o orgulho dos brasileiros”, escreveu.

Em um vídeo, o deputado também afirma que apoia a autonomia da PF. “Quero deixar consignado o meu compromisso com os valores e atributos que levaram a Polícia Federal a ser essa instituição de respeito e orgulho de todos os brasileiros, e é justamente a independência administrativa e autonomia de suas investigações”, disse.

O deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) afirmou que Moro não fez um pronunciamento, mas “uma delação premiada”, ao se referir às declarações do ex-ministro sobre as tentativas do presidente de ter acesso a relatórios da inteligência da PF.

“Ora, a Polícia Federal é um órgão de estado, não um órgão de governo. Essa interferência é injustificada. Agora, quando a revelação desse fato vem do Sergio Moro isso não é um pronunciamento, é uma delação premiada. Eu vejo que essa declaração coloca o presidente (Bolsonaro) numa situação muito desconfortável perante a opinião pública e principalmente, perante o seu próprio eleitorado que deve em parte estar decepcionado com essa postura”, disse o deputado.

Em coletiva de imprensa, nesta sexta-feira (24), Moro anunciou que pediu demissão do cargo tendo como estopim a insistência do presidente Bolsonaro em trocar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo, sem uma justificativa. Moro disse que Bolsonaro quer interferir politicamente na Polícia Federal e ter acesso a investigações e relatórios da inteligência.

“A coisa é tão escandalosa que o Sergio Moro sentiu saudades do governo anterior (PT) que não interferia nos trabalhos da Polícia Federal. Vejam a que ponto chegamos. Mas vamos aguardar, todos temos que ter serenidade para ver como administramos conjuntamente essa crise que se acresce a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. É muito grave o que o ministro Sérgio Moro disse em relação ao presidente da República”, concluiu Serafim.

Na mesma linha de Serafim, o deputado federal Marcelo Ramos disse que é grave a denúncia de que o presidente trocará o diretor da PF por ter interesse de interferir em inquéritos. “O Chefe do Executivo obstruir e interferir em inquéritos é crime”, afirmou.

Ramos destacou, ainda, que a saída do Moro gerará uma crise política e institucional. “Que precisa ser rapidamente superada para que não dispersemos os esforços do combate ao coronavírus e preservação da vida dos brasileiros”, disse.

Aliado do presidente, o deputado federal Capitão Alberto Neto escreveu, em uma rede social: “Obrigado, Moro, pelos serviços prestados ao Brasil”.

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