01/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

‘No Amazonas, o vírus está se deslocando de barco’, diz diretora da FVS

Publicado em 21 de abril, 2020

Secretária da Susam, Simone Papaiz, e diretora-presidente da FVS-AM, Rosemary Costa Pinto (à diretita), divulgaram dados do novo coronavírus no Estado, em live nesta terça-feira. Foto: Rodrigo Santos/Secom

A quantidade de casos do novo coronavírus tem aumentado no interior do Amazonas. Nesta terça-feira (21/4), a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) divulgou que 27 cidades registram, juntas, 461 infectados. Desse total, 13 municípios do interior registram 30 mortes. Uma situação pode estar contribuindo para esse cenário: o transporte clandestino por via fluvial. “No Amazonas, o vírus está se deslocando de barco”, alertou a diretora-presidente da FVS, Rosemary Costa Pinto, nesta terça.

Logo no início dos primeiros registros de casos de Covid-19 no Amazonas, o governador Wilson Lima decretou a suspensão do transporte hidroviário de passageiros entre as cidades do Estado. Depois de vaivéns na justiça, a suspensão foi mantida.

No dia 4 de abril, Wilson Lima ampliou as medidas de restrição de circulação e proibiu o transporte rodoviário intermunicipal e interestadual de passageiros.

Mas, conforme explicado pela diretora-presidente da FVS-AM, nesta terça-feira, há moradores do Amazonas que têm burlado as regras. Segundo Rosemary Pinto, os passageiros podem estar usando portos clandestinos, já que o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, na zona Oeste de Manaus, e os portos da capital estão sendo fiscalizados pela FVS e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Aqui nós temos a Anvisa e a Vigilância Sanitária do Estado atuando nos portos, no sentido de coibir a saída de passageiros de barcos de Manaus com destino ao interior. Mas, o que nós temos visto é que as pessoas têm burlado essa fiscalização. Não saem dos portos oficiais. Os barcos pegam passageiros em portos clandestinos, muitas vezes em outros municípios, em áreas rurais de outros municípios”, disse Rosemary.

Ela citou como exemplo a cidade de Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus). O município fica logo após a Ponte Phelippe Daou, conhecida como ponte Rio Negro. Por via terrestre, a ponte liga Manaus a Iranduba, Manacapuru e Novo Airão. Todos esses municípios integram as 13 cidades da Região Metropolitana de Manaus (RMM). Em Manacapuru, os casos de infectados por coronavírus preocupa. Nesta terça, a cidade registra 218 dos 461 casos confirmados no interior do Amazonas, e 12 dos 30 óbitos entre essas cidades.

De acordo com a diretora-presidente da FVS, passageiros que conseguem passar pela ponte Rio Negro podem estar usando portos clandestinos em cidades como Iranduba, de onde se deslocam, em embarcações, para outros municípios mais distantes.

“No Amazonas, o vírus está se deslocando de barco. Infelizmente, essa é a realidade. As pessoas que não acatam as orientações que são dadas nem mesmo a legislação que é estabelecida. Estão disseminando o vírus para os municípios do interior. E o resultado é esse: 461 casos, 30 óbitos em 13 municípios”, concluiu Rosemary Pinto.

Amazonas e Manaus

O Amazonas registra 2.270 infectados pelo novo coronavírus. De ontem para hoje, foram registrados 110 novos casos da doença no Estado. Conforme a FVS-AM, 698 pessoas estão internadas com suspeita da doença e, até agora, foram registradas 193 mortes por Covid-19 no Estado.

Em Manaus, foram registrados 1.809 casos dos 2.270 confirmados no Amazonas. Isso representa 79,69% do total. De acordo com a FVS, 163 moradores da capital morreram em decorrência de complicações da doença.

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