
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que só espera a indicação do seu substituto para deixar a pasta. Foto: Isac Nóbrega/PR
Em entrevista ao site da revista Veja, nesta quarta-feira (15/4), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, admitiu que deixará a pasta. Ele se disse cansado com os desgastes vividos com o presidente Jair Bolsonaro durante o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus e disse que está apenas aguardando a escolha do substituto.
“60 dias tendo de medir palavras. Você conversa hoje, a pessoa entende, diz que concorda, depois muda de ideia e fala tudo diferente. Você vai, conversa, parece que está tudo acertado e, em seguida, o camarada muda o discurso de novo. Já chega, né? Já ajudamos bastante”, afirmou. Mandetta disse que não há chance de ficar no governo.
Quanto a nova linha de trabalho de combate à pandemia após sua saída do cargo, o ministro não quis dar palpite. “Não sei, mas acho que o vírus se impõe. A população se impõe. O vírus não negocia com ninguém. Não negociou com o (Donald) Trump, não vai negociar com nenhum governo”, disse.
Ele também afirmou que não sabe quem vai substituí-lo na pasta, mas que está disposto a ajudar quem entrar, se quiserem a sua ajuda. “A gente tem compromisso com o país. Aqui é tudo marinheiro antigo, não tem principiante, ninguém vai torcer contra”, concluiu.
Em entrevista coletiva concedida mais cedo no Planalto, que teve tom de despedida, Mandetta afirmou que ainda não recomenda o uso da cloroquina no tratamento da covid-19. O medicamento é amplamente defendido pelo presidente Jair Bolsonaro. O ministro disse que, embora a aplicação da medicação não seja proibida, é necessário avisar o paciente de riscos de arritmia e infarto.
Veja aqui a íntegra da entrevista para a revista Veja
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