24/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Preço da cocaína desmorona, diz site peruano, devido ao Covid-19 e ação na fronteira

Publicado em 02 de abril, 2020

Preço da cocaína desmorona

Preço da cocaína desmorona nos locais de produção e agricultores (foto) voltam de mãos vazias da colheita de folha de coca. Foto: AFP/ peru21.pe

Os agricultores peruanos estão voltando para casa de mãos vazias, em pleno período de colheita da folha de coca. “O quilo custava entre R$ 900 e US$ 1 mil e agora está em US$ 400”, afirma o especialista em narcotráfico, o peruano Pedro Yaranga. Ele foi ouvido pelo site peru21.pe. O motivo são as restrições impostas pelo Peru, principal produtor mundial de folha de coca, à circulação.

“Estamos, também, fechando a fronteira. Acabamos de descobrir uma rota, por terra, que vai do Solimões ao rio Negro. O Comando de Operações Especiais (COE) está no local. Acabamos de apreender, com Polícia Militar e Polícia Civil, 800kg de skunk. É prejuízo de R$ 12 milhões, ao tráfico, a preço de Manaus”, diz o secretário de Segurança do Amazonas, Louismar Bonates.

A apreensão da droga, que teve apoio do Exército, recebeu o nome de Operação Horus. Horus era o deus egípcio com um olho representando o sol e o outro a lua, usado como símbolo de poder.

O site peruano, que trata a comercialização de coca como “economia informal”, aponta Cusco, Ucayali, vale do Huallaga e Vraem com “maiores problemas”. “Os narcos têm dificuldades para transportar a mercadoria e optam por não comprar, por não poder transportar”, afirma Yaranga.

Os traficantes ficaram com estoque, acumulado antes do Covid-19. “Os peões viajaram a campos de cultivo de folhas de coca, como Oreja de Perro, Palmapampa e a selva de Anco, distrito de Ayacucho. Esperavam trabalhar na colheira, mas tudo parou e estão voltando de mãos vazias”, dia o Perú21.

As rotas de insumos químicos para produção de cocaína também estão paralisadas pela emergência sanitária. Elas iam de Tayacaja, Tintaypunco y Roble (distritos de Huancavelica).

 

Seminário

Louismar Bonates afirma que o Amazonas tem trabalhado em conjunto com autoridades de países vizinhos. A meta é fechar a fronteira ao tráfico. “Semana que vem haveria um seminário entre os países. Infelizmente, devido à crise da pandemia, o encontro foi cancelado”, revela.

Ainda não há informações sobre a repercussão da queda do preço da cocaína, na produção, no mercado de distribuição. O natural é que, à medida que a droga fique mais rara nas cidades consumidoras, os traficantes passem a misturar mais e aumentar o preço para usuários.

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