01/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Morre a spalla da Amazonas Filarmônica Margarita Chtereva, búlgara que se tornou amazonense

Publicado em 31 de março, 2020

Morre a spalla da Amazonas Filarmônica

Morre a spalla da Amazonas Filarmônica, em sua residência, de causas ainda desconhecidas

A menina prodígio da Bulgária, grande centro de formação musical da Europa, acaba de deixar o palco. A violinista Margarita Chtereva, 49, spalla da Orquestra Filarmônica do Amazonas e professora de música da UEA, faleceu nesta terça (31/03). As causas ainda são desconhecidas, mas ela era hipertensa e estava em casa.

Robério Braga, ex-secretário estadual de Cultura, responsável pela vinda dela para Manaus, estava inconsolável. “Rompe-se um elo da arte em nossa terra. Generosa, artista de fina sensibilidade, professora, mãe por adoção de meninos amazonenses”, disse, sobre Margarita.

A musicista retornou da Bulgária no dia 11 de fevereiro, depois das ações do doutorado. “Andava pálida. Chegou a passar mal e abandonar um ensaio para o Festival de Ópera de 2019”, disse Elena. “Ela se recusava a ir ao médico”, ouviu Robério, de outros músicos.

 

Um prodígio

A colega violinista e compatriota Elena Koynova, 55, que chegou a Manaus em 1999, dois anos após Margarita, está incrédula. “Não acredito que ela morreu”, disse.

Spalla é uma palavra italiana que, literalmente, significa “ombro”. É o nome do primeiro violino da orquestra. É o último músico a entrar no palco, antes do maestro, e faz a afinação da orquestra.

Elena lembra o currículo brilhante da amiga: “Não consigo nem lembrar os prêmios que ela ganhou, na infância e juventude, na Europa. É de uma família de músicos. Na infância era considerada ‘criança prodígio’. Formou na Academia de Música da Bulgária e estava fazendo doutorado”.

Margarita, ainda estudante, já trabalhava na ópera estadual de Sófia, capital búlgara, e, em 1997, aceitou mudar para mudar, tornando-se parte do grupo fundador da orquestra. A partir de 2004, se tornou spala, a violinista principal, fazendo vários recitais, tocando vários concertos.

A spala adotou um filho há 13 anos. Ele se chama Luiz Fernando Chtereva. Criou outra menina, já adulta, que não morava mais com ela. Trabalhou, antes da UEA, no Liceu Cláudio Santoro.

Elena lembra que, quando chegou a Manaus, em 1999, havia apenas dois amazonenses na Orquestra Filarmônica do Amazonas, com mais de 50 integrantes. “Hoje temos 20 violinistas e 70 integrantes, dos quais creio que 35 são amazonenses”, disse.

Os amazonenses tiveram a formação, na maioria, feita pelos artistas daquela primeira leva, como Margarita e Elena. Outro que participou desse trabalho foi Nikolay Sapoundjiev, também violinista, hoje na Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB).

 

Veja o texto de Robério Braga, quando soube da morte

“Rompe-se um elo da arte em nossa terra. Generosa, artista de fina sensibilidade, professora, mãe por adoção de amazonenses. Era simples, embora às vezes teimosa, pelo temperamento sensível.

Havia nela algo de transcendente. Veio, acreditou unicamente na minha palavra, adotou o Amazonas como sua terra e fez o melhor que podia pela arte, pela música, pelos jovens.

O seu encantamento não encerra o sonho que ela sonhou. Vai fortalecê-lo.

Perde-se uma estrela de alto quilate no palco do Teatro Amazonas e ganha-se uma estrela no firmamento.

E nós choramos essa perda do fundo do coração.

Robério e Rosa”

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