
Presos estão revitalizando a Vila Olímpica. Foto: Mauro Neto/Faar
Internos do sistema prisional começaram a revitalizar a Vila Olímpica de Manaus, no bairro Dom Pedro, zona Centro-Oeste, nesta segunda-feira (9). As atividades no espaço são resultado de parceria entre a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) e a Fundação Amazonas de Alto Rendimento (Faar). Esse é o quarto trabalho extramuro realizado por apenados do regime fechado.
No caso da Vila Olímpica, a Seap deslocou dez reeducandos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), localizado no Km 08 da BR-174 (rodovia que liga Manaus a Boa Vista). No espaço, a realização dos serviços ocorre por meio da empresa de cogestão Reviver Administração Prisional Privada.
Além de roçar toda a área da vila, os internos também pintarão o hotel que abriga os atletas de alta performance. Até o fim de abril, cerca de 20 quartos receberão os serviços de reforma e manutenção.
O diretor-presidente da Faar, Caio André de Oliveira, destacou a busca por parcerias com instituições da iniciativa privada e órgãos públicos. “Essas parcerias, além de ajudar na ressocialização dos presos, a contrapartida é nos dar esse auxílio na limpeza da Vila Olímpica, demanda que aumenta bastante neste período de chuva. Além da parceria na mão de obra, o material empregado nesses serviços também foi adquirido por meio de doação dos parceiros privados”, disse.
De acordo com o titular da Seap, coronel Vinícius Almeida, o uso da mão de obra carcerária em espaços e prédios públicos contribui para reduzir os gastos do Estado e, ao mesmo tempo, possibilita a remição da pena.
“O projeto tem como objetivo propiciar a conscientização da pessoa privada de liberdade e evitar a retroalimentação dos ciclos de criminalidade e taxas de reincidência”, explicou.
Um dos internos que integra o programa ‘Trabalhando a Liberdade’ completou um ano como membro do grupo de trabalhadores do Compaj. Ele concluir cursos de capacitação ‘Pintura Predial’ e ‘Panificação’ dentro do presídio. “É a primeira vez que estou trabalhando fora da unidade, e é muito gratificante ter a oportunidade que estão nos dando”, disse Fabiano* (nome fictício).
O detento acredita que a participação nos projetos de ressocialização irá ajudá-lo a sair mais cedo da prisão. “Vou mais cedo para casa graças aos dias que consegui remir com o trabalho e a leitura”, afirmou Fabiano, que faz planos de abrir um restaurante junto com sua mãe, quando deixar a cadeia.

Presos estão revitalizando a Vila Olímpica. Foto: Mauro Neto/Faar