28/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Adail Pinheiro volta e promete ‘só dar amor’ a Coari. Veja trecho do discurso

Publicado em 21 de fevereiro, 2020

Adail Pinheiro volta e promete 'só dar amor' a Coari. Veja trecho do discurso

Adail Pinheiro volta e promete ‘só dar amor’ a Coari. Veja trecho do discurso. Fotos: Reprodução

Condenado a 57 anos de prisão em 2018, em penas cumulativas em razão da prática de diversos crimes, de corrupção a lavagem de dinheiro, em ação julgada em dezembro pela Justiça Federal, o ex-prefeito Adail Pinheiro voltou a Coari no último fim de semana, onde foi eleito por dois mandatos, e durante um discurso inflamado, disse que retorna com o “coração cheio de alegria e amor”.

Adail Pinheiro

No melhor estilo “faça amor, não faça guerra”, que poderia ter sido inspirado no slogan usado pelos civis americanos nos anos 1970 para reprovar a Guerra do Vietnã – a frase também está em uma das canções de John Lennon “Make Love, Not War” -, Adail Pinheiro diz que está só amor, com o coração cheio de união, sem mágoas ou ódio.

“Porque os inimigos de Coari só presenciam da família Pinheiro o sucesso, a vitória, e assim será. Porque nós plantamos o bem, fazemos o bem. Adail Pinheiro significa o bem em Coari. Por isso incomoda. Por isso a gente tem algumas pessoas que não param de nos perseguir. Não sabia que ser competente é pecado. É pecado por conta dos incompetentes e pela inveja que tem da gente”, disse, em seu discurso.

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A condenação

O ex-prefeito foi condenado pelos crimes imputado na Operação Vorax. A condenação se deu em 2ª instância e Adail, que usava tornozeleira eletrônica, em liberdade, voltou a ser preso. Em dezembro de 2018, ele foi recolhido à sede da Polícia Federal (PF).

Os réus foram condenados pelos crimes de associação criminosa, falsificação de documento público, falsificação de documento particular, falsidade ideológica, uso de documento falso, fraude a licitação, lavagem de dinheiro, crime de responsabilidade e dispensa ilegal de licitação.

A Operação Vorax demonstrou irregularidades na execução de convênio firmado entre a Prefeitura de Coari e a União. Trata-se de verba oriunda do Ministério do Meio Ambiente, para a construção de um aterro sanitário no Município.

Operação Vorax

As investigações tiveram início em 2004, a partir de representação encaminhada pelo MPF à Polícia Federal. Na operação Vorax, em 2008, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão preventiva e apreensões. Diversos materiais e equipamentos eletrônicos foram apreendidos.

Quase R$ 7 milhões em dinheiro estavam no forro de casa localizada em conjunto construído pela Prefeitura, em Coari. Eles seriam apenas uma parte dos recursos públicos desviados pelo grupo.

Conforme a sentença, ficou clara a existência de uma organização criminosa “incrustada no âmbito da administração municipal de Coari, cujo objetivo é fraudar licitações e desviar recursos públicos oriundos de convênios federais e de royalties pagos pela Petrobras”.

Chefe

A denúncia foi recebida em 13 de outubro de 2010. Ela apresentava Adail Pinheiro como chefe da organização, com poder de mando, figurando, igualmente, como autor intelectual dos diversos crimes engendrados pelo grupo. “O réu foi o responsável pela instalação no âmbito da Secretaria de Obras, Engenharia e Planejamento da Prefeitura de Coari de uma verdadeira “linha de montagem” de licitações fraudulentas”.

Ainda na sentença, a conduta social do réu é negativa, demonstrada nos autos, sendo que o mesmo tem “vocação voluntária para o cometimento de ilícitos diversos que vão desde improbidades administrativa a exploração sexual de crianças e adolescentes. Frise-se, ainda, que na condição de prefeito esperava-se que o acusado possuísse conduta exemplar no trato da coisa pública, e não fazer da prefeitura de Coari seu cofre particular”.

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