
David Almeida fala sobre Suhab e a Operação Bilhete Premiado que investiga ex-diretores durante a gestão dele no Governo do Estado
O Ministério Público Estadual (MPE) realizou esta manhã a “Operação Bilhete Premiado”, cumprindo mandados de busca e apreensão. Os alvos são casas e escritórios de ex-dirigentes da Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab). “O MPE tem que ir fundo e esclarecer esse empréstimo de vez”, disse o ex-governador David Almeida. Ele estava no comando do Estado quando os contratos, objetos da investigação, foram assinados.
Os coronéis reformados da Polícia Militar (PM) Nilson Soares Cardoso Júnior e José Júlio César Correa, agora advogados, são os principais alvos. O MPE investiga o contrato de R$ 5 bilhões entre Suhab e a Ezo Soluções Interativas. A Ezo recuperaria R$ 27 bilhões, do Fundo de Compensações de Variações Salariais (FCVS) e R$ 5 bilhões seriam honorários. Cardoso e Júlio eram superintendente e diretor habitacional da Suhab, à epoca do contrato.
O outro investigado é Leandro Carlos Spener Xavier, ex-diretor administrativo das Suhab.
A Caixa Econômica, ouvida, disse que não existe esse valor em FCVS para o Governo do Amazonas. A Ezo insiste em que o Estado reconheça a dívida de R$ 5 bilhões. “O valor só se realizaria se o Governo Federal reconhecesse e pagasse”, disse Paulo Henrique Júlio Ciccarini, sócio da Ezo.
As ações da manhã desta terça-feira (18/06) são do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Elas resultam de um procedimento aberto pelo ex-governador Amazonino Mendes. Ele pediu que a Corregedoria Geral do Estado (CGE) investigasse esse contrato. Deu prazo de 90 dias e renovou por mais 90.
A CGE investigou e mandou o resultado da investigação, ao fim do governo Amazonino, para o MPE. Agora, concluídas as primeiras averiguações, o Gaeco pediu e obteve os mandados de busca e apreensão.
Os técnicos e promotores do Gaeco acabam de retornar ao prédio do MPE, na avenida Coronel Teixeira, a antiga Estrada da Ponta Negra. Trouxeram caixas e mais caixas com documentos, smartphones, três notebooks e HDs de computadores de mesa. Todo o material foi apreendido nas casas e escritórios de Nilson Cardoso, Júlio César e Leandro Spener.
O grupo retornou com grande volume de sacos. Todo o material será periciado e substanciará futuras ações do Gaeco a respeito.
“Não tenho nada a ver com isso. Foi na minha gestão, como governador, mas a Suhab é autônoma, com departamento jurídico próprio. A Procuradoria Geral do Estado (PGE) sequer foi acionada para opinar”, disse David Almeida.
O ex-presidente da Assembleia Legislativa, que ocupou o governo interinamente, aplaudiu a ação do MPE. “Ano passado, no meio da campanha eleitoral, tentaram fazer desse empréstimo arma contra mim. Agora o MPE age com responsabilidade e antecedência, permitindo que a sociedade conheça os fatos. Não tenho nada a temer”, disse David.
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