
Amazonino vê Braga agindo no TCE, para desaprovar as contas de 2018, uma das grandes derrotas políticas do amazonense que mais vezes foi governador
O ex-governador Amazonino Mendes comentou a desaprovação de suas contas, de 2018, no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Recorreu a um chavão que usou muito em seus quatro mandatos, sempre que algum ato dele era reprovado: “Foi excesso de zelo”. E lembrou que Ari Moutinho e Júlio Pinheiro, dois dos três votos pela desaprovação, foram nomeados pelo senador Eduardo Braga. A insinuação é clara de que Braga teria “mexido os pauzinhos”, nos bastidores, pela desaprovação.
O terceiro e decisivo voto, porém, no 3 a 2 da votação, foi do conselheiro Érico Desterro. Ele é um técnico de carreira, oriundo do Ministério Público de Contas do TCE.
Amazonino havia sido acusado, pelo governador Wilson Lima, de deixar um rombo de R$ 2 bilhões nas contas estaduais. Esse déficit se reflete nas contas deste ano e pode provocar graves consequências ao Estado. Bloqueio de contas e impedimento de obtenção de empréstimos estão entre elas. O Estado, segundo técnicos da Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz), pode encerrar 2019 ainda devendo R$ 1,6 bilhão.
A desaprovação, no entanto, veio por outro motivo. Houve problema no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Amazonino se defende: “Pagamos R$ 300 mil indevidos a um professor, mas o dinheiro foi ressarcido e não houve prejuízo ao Estado”.
O ex-governador, quando prefeito, não reuniu aprovação popular e desistiu de concorrer à reeleição. Governador, em 2018, disputou a reeleição no cargo e perdeu novamente, desta vez para o novato Wilson Lima.
Amazonino afirma, na nota distribuída à imprensa, que vai recorrer “administrativamente” ao TCE. E lembra que “a decisão não é definitiva”, mas “um parecer técnico prévio para enviar à Assembleia Legislativa“. “Os deputados vão fazer o julgamento político”, disse.
O grupo político de Amazonino, na atual legislatura, se resume aos deputados Wilker Barreto e Dermilson Chagas. Entre os 24 parlamentares, eles são os mais acirrados oposicionistas ao governador Wilson Lima.
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