
Fernando de Carvalho Lopes é acusado de abuso sexual por cerca 40 atletas e ex-atletas. Foto: Fábio Pozzebom/ Agência Brasil
O ex-treinador da seleção brasileira masculina de ginástica artística Fernando de Carvalho Lopes foi banido definitivamente do esporte, suspeito de abuso sexual e assédio moral a atletas, quando era técnico do Clube Movimento de Expansão Social Católica (Mesc), em São Bernardo do Campo. Ele foi acusado de praticar os crimes por cerca de 40 atletas e ex-atletas.
A decisão foi tomada pelo Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), em julgamento ocorrido neste domingo (31), na sede da Ordem dos Advogados do Brasil, em Aracaju (SE).
Em abril do ano passado, Fernando, que foi treinador da seleção brasileira de ginástica artística, foi afastado do Mesc após reportagem veiculada pelo programa Fantástico, da TV Globo. Na reportagem, Lopes foi acusado por vários atletas de ter praticado abusos sexuais durante cerca de 15 anos. Á época dos abusos, as vítimas eram crianças ou adolescentes.
De acordo com a reportagem, Lopes tinha sido afastado da seleção brasileira em 2016, após os pais de um de seus alunos procurarem a polícia para denunciar o técnico, com base no relato do menino, então com 9 anos. A denúncia levou à abertura de uma investigação pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. Além do caso que deu origem ao inquérito, a reportagem informou ter localizado 39 vítimas de abusos praticados pelo treinador. Entre elas, o ginasta Petrix Barbosa.
Segundo os relatos, o técnico usava sua posição para se aproveitar dos jovens, frequentando o banheiro junto com eles e tocando as partes íntimas dos meninos durante as instruções. Conforme as denúncias, em algumas situações, Lopes chegou a dormir na mesma cama de alguns dos atletas.
Lopes negou as acusações, em maio de 2018, durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito dos Maus-Tratos (CPIMT). O ex-treinador classificou de “vingança” a acusação dos ex-atletas e disse que foram induzidos a falar mal dele. “Acredito numa indução de formação de opinião, principalmente de quem é mais novo. Com relação a muitos que me acusam, são os mesmos que bateram na minha porta pedindo para voltar a treinar comigo. Alegam que foram abusados quando mais novos, mas passam-se oito, nove anos e pedem para retornar”, afirmou.
A decisão
O STJD é a segunda instância desportiva da ginástica. O tribunal informou que a pena de banimento foi decidida por unanimidade, tendo por base o Código de Conduta e Estatutos da Federação Internacional de Ginástica.
De acordo com o presidente do STJD, Fernando Silva Júnior, o Código Brasileiro de Justiça Desportiva estabelece que “decisões de pleno como esta são irrecorríveis”. No entanto, acrescenta ele, “a nível de jurisdição nacional cabe embargos de declaração ou mesmo cortes internacionais”, disse.
Por meio de nota, a CBG informou que o tribunal a ela vinculado foi o primeiro a tomar uma decisão deste nível – envolvendo assédios e abusos sexuais – na esfera esportiva do Brasil.
Além de ser punido com banimento do esporte, o ex-treinador da seleção brasileira masculina de ginástica artística poderá responder por crimes tanto na vara cível como criminal. “Cada espectro de atuação tem um objeto a ser tratado”, disse o presidente do tribunal ao explicar que o referido julgamento está limitado às questões desportiva e disciplinar.
“Os atos praticados refletem também na vida civil do cidadão e dos atletas vítimas. Então ele vai responder do ponto de vista cível, caso os atletas acionem a Justiça. Do ponto de vista criminal, depende de denúncia do Ministério Público”.
Com informações da Agência Brasil