No único debate do segundo turno das eleições estaduais, os candidatos a governador do Amazonas Amazonino Mendes (PDT) e Wilson Lima (PSC) abordaram temas que dominaram a campanha eleitoral como corrupção, indenização para famílias de presos mortos, saúde e segurança pública. Nas respostas, não pouparam críticas ao adversário e troca de farpas. O debate ocorreu na noite desta quinta-feira (25/10), na Rede Amazônica de Televisão.
No primeiro bloco, com tema livre, Wilson Lima questionou Amazonino sobre o investimento de apenas 18% em educação, que estaria abaixo do limite constitucional de, no mínimo, 25% do orçamento. Amazonino justificou dizendo que o ano ainda não terminou e que sempre cumpriu as exigências constitucionais. “O Amazonas é um dos estados que menos tem investido em educação”, criticou Wilson.
Um dos temas mais polêmicos da campanha, o pagamento de indenizações às famílias de presos mortos durante massacre no Compaj, foi trazido à tona por Amazonino que perguntou de Wilson qual das três versões que ele apresentou para explicar o fato era a correta. O candidato do PSC afirmou que não vai pagar indenização às famílias dos presos porque tem outras prioridades e acusou a campanha de seu adversário de tentar denegrir a sua imagem.
O ex-governador José Melo, que foi cassado por crime eleitoral e um dos presos durante a operação “Estado de Emergência”, um desdobramento da Maus Caminhos, também foi citado. Wilson lembrou que Melo foi secretário de Amazonino em vários mandatos e teve o apoio do governador. O candidato da coligação Eu Voto no Amazonas admitiu que Melo foi seu secretário, mas que não teve roubo no governo dele.
Um dos pontos divergentes entre os candidatos foi a BR-319. Wilson disse que, ao contrário do que Amazonino afirma, o Estado não tem condições de arcar com os custos da conclusão da estrada, que seria responsabilidade do governo federal e custaria mais de R$ 1 bilhão. Amazonino reafirmou que vai concluir a estrada. “Isso para mim não é novidade, para ele pode ser um bicho de sete cabeças”, disse. Para Wilson, o candidato promete o que não é viável.
A contratação do ex-prefeito de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, também foi criticada por Wilson Lima, que cobrou resultados na segurança e disse que o dinheiro poderia ter uma destinação melhor para benefício da população. “Prefiro pagar R$ 5 milhões para Giuliani do que pagar R$ 3 milhões para indenizar bandidos que se matam na cadeia”, rebateu Amazonino.
Durante todo o debate, Wilson lembrou dos vários mandatos do adversário, do tempo que teve para resolver os problemas do Estado e que não fez. Por outro lado, Amazonino ficou destacando a falta de experiência de seu adversário.
Encerrando o debate, Wilson Lima disse que respeita a história de seu adversário, mas que o povo precisa apostar no novo e que ele está disposto a enfrentar os problemas do Estado. Já Amazonino lembrou da sua experiência política, que já conseguiu avançar e que o povo não deve dar ‘um salto no escuro’ apostando em quem não tem experiência.
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