
Morre o pároco da igreja Nossa Senhora da Amazônia, padre Reneu Stefanello, gaúcho que se tornou querido pelos católicos e arrebatou fiéis da Ponta Negra. Foto: arquivo pessoal
Padre Reneu Stefanello, o pároco da Área Missionária Nossa Senhora da Amazônia, faleceu esta tarde. Ele estava em Santa Maria, em tratamento, após se sentir mal durante a celebração do Dia de Pentecostes. O diagnóstico é de leucemia.
Padre Reneu foi o responsável pela implantação do Santuário Nossa Senhora da Amazônia, na Ponta Negra. O seu conhecimento e sabedoria litúrgica o destacavam como pastor.
Um dos feitos mais destacados do trabalho dele foi a motivação de muitos adultos para se tornarem ministros da Palavra e Eucaristia. Isso significa, numa igreja frequentada por empresários e executivos, horas de dedicação ao estudo litúrgico. Ele também formou um robusto Grupo de Jovens.
Muito querido pelos católicos, padre Reneu cuidou de cada detalhe na ornamentação da capela de Nossa Senhora da Amazônia. O templo, em constante ampliação, se tornou uma joia arquitetônica, repleto de ícones regionais. Até mesmo a floresta que a cerca, ao lado do condomínio Alphaville, se tornou uma espécie de jardim.
O padre, gaúcho, criou uma ligação muito grande com a Floresta Amazônica. Tinha muitos fotos com pássaros que se alimentavam em suas mãos.
O procurador de Justiça José Roque Nunes Marques, que auxiliava o padre Reneu no ministério de canto, o homenageou. O padre estava completando 40 anos de sacerdócio e a comunidade festejava. O Portal do Marcos Santos resgatou o texto da homenagem. Leia, a seguir:
Hoje é um dia especial na história da nossa Comunidade. Estamos comemorando 40 anos de sacerdócio do nosso líder espiritual, que aceitou a missão de entrar em nossas casas, em nossos condomínios, e iniciar um processo desafiador de evangelização. Hoje, também, é um dia especial, pois esta é primeira celebração realizada após a assinatura do decreto de Dom Sergio Castriani, transformando nossa comunidade em Área Missionária Nossa Senhora da Amazônia.
Padre Reneu foi o primeiro celebrante, o primeiro pedreiro de nossa obra, o primeiro eletricista, o primeiro pintor, o primeiro jardineiro, o primeiro engenheiro, o nosso primeiro pastor.
Poderíamos ficar horas ouvindo as histórias do Padre Reneu com a nossa comunidade. Quero falar do homem e da gratidão desta Comunidade.
A comunidade Nossa Senhora da Amazônia é uma obra em permanente construção e todos que por aqui passam, ajudam a escrever essa história, mas é indiscutível o papel do Padre Reneu. A história está escrita e ninguém apaga.
Para finalizar, tomo emprestado as sábias palavras do Professor Antônio Novoa, que inspirado no Tratado sobre Gratidão de São Tomás de Aquino, falou dos três níveis de gratidão:
O nível superficial é o nível do reconhecimento, do reconhecimento intelectual, do nível cerebral, do nível cognitivo do reconhecimento.
“…. em inglês ou em alemão se agradece no nível mais superficial da gratidão. Quando se diz “thank you” ou quando se diz “zu danken” estamos a agradecer no plano intelectual.
O segundo nível é o nível do agradecimento, do dar graças a alguém por aquilo que esse alguém fez por nós.
“Na maior parte das outras línguas europeias, quando se agradece, agradece-se no nível intermediário da gratidão. Quando se diz “merci” em francês, quer dizer dar uma mercê, dar uma graça. Ou “gracias” em espanhol, ou “grazie” em italiano. Dou-lhe uma graça por aquilo que me deu e é nesse sentido que eu lhe agradeço, é nesse sentido que eu lhe estou grato.
E o terceiro nível mais profundo do agradecimento é o nível do vínculo, é o nível do sentirmos vinculados e comprometidos com essas pessoas.
E que só em português… é que se agradece com o terceiro nível, o nível mais profundo do tratado da gratidão. Nós dizemos “obrigado”. E obrigado quer dizer isso mesmo. Fico-vos obrigado. Fico obrigado perante vós. Fico vinculado perante vós.
Padre Reneu, com essa breve manifestação, inclino-me em respeito.
E digo em nome da nossa comunidade: no nível mais profundo de agradecimento, muito obrigado!

Flagrantes que mostram a interação do padre Reneu com a comunidade e a Amazônia. Uma das fotos o revela na atividade de pedreiro, construindo com as próprias mãos o templo que se tornou uma joia arquitetônica