27/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Dirigente do Sindicato dos Agentes Penitenciários denuncia culpa da Seap nas fugas

Publicado em 14 de maio, 2018

Sindicato sai em defesa de agentes penitenciários no caso da fuga do CDPM II

Sindicato sai em defesa de agentes penitenciários e diz que a culpa pela fuga deve ser atribuída à própria secretaria e setores da segurança que “não tomaram nenhuma providência”. Fotos: Divulgação

Em defesa da categoria, o Sindicato dos Servidores Penitenciários do Amazonas emitiu uma nota nesta segunda-feira (14), assinada pelo vice-presidente, o agente penitenciário Antônio Jorge de Albuquerque Santiago, questionando acusações imputadas aos agentes do Centro de Detenção Provisória de Manaus II (CDPM II) na fuga de 35 presos registrada no último sábado (12).

Na nota, o sindicato informa que se agentes penitenciários foram presos porque teriam conhecimento prévio da fuga, o mesmo deve acontecer com setores da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), do Departamento de Inteligência (Dipen) e do próprio secretário, Cleitman Coelho, que “não tomaram nenhuma providência”.

Providências

“Quem não tomou providências vai ter que arcar com o ônus, tendo em vista que as autoridades penitenciárias tem o dever de garantidor, de cuidado”, diz Santiago, no documento.

O sindicato lembra que a Seap anunciou que revistas e varreduras seriam realizadas nos arredores das unidades prisionais, desde outubro de 2017, como parte de medidas de controle e estabilidade do sistema prisional.

Na nota, o sindicato explica que a sindicância sobre a fuga não foi concluída, como se chegou a afirmar, e que o Processo Administrativo Disciplinar “não é sumário”. “Estamos em um país democrático e não numa ditadura”.

Sem concurso público

A nota diz ainda que o erro é do “Governo, que em 36 anos não realizou concurso público para agentes penitenciários e demais servidores, e que é impossível fazer segurança de mais ou menos 500 presos com 5 agentes e alguns com mais de 50 anos, e outros com mais de 70 anos”.

Santiago segue o relato afirmando que o secretário da Seap deveria ter resolvido a situação junto ao Estado, mas que preferiu “trazer mais de 50 PMs para assumir funções que por lei” são dos agentes penitenciários. Ainda no texto, o vice-presidente diz para o coronel Cleitman assumir seus erros, “pegue seu banquinho e saia de fininho”, uma vez que a categoria de carreira está “envergonhada” dele e da equipe.

Velhinhos

“Nós demos a vida por esse sistema, que agora Vossa Excelência está matando. Nossos heróis anônimos (agentes penitenciários) podem até ser presos, mas nunca calarão nossas bocas. Somos velhos, como disse na impressa e pensou que nos atingiria. Ledo engano. Somos velhos, experientes, somos pais de família que arriscamos nossas vidas todos os dias sem uma arma, lutando contra facções, apenas com as armas da educação, e da qualificação profissional que a escola de administração penitenciária nos ensinou”.

Na nota, o sindicato lembra que o Estado está sem concurso público para servidor penitenciário e que os “eternos reféns pagos, os velhinhos, estão cansados de carregar tão árdua missão e nunca serem reconhecidos”.

Para a categoria, resposta definitiva será investir no sistema e não prender agentes. Investir num concurso público, plano de cargos e carreiras, e salários para servidores que prestaram bons serviços à sociedade terem uma aposentadoria justa.

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