04/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Pescadores do Careiro esperam faturar mais de R$ 700 mil com a Pesca do Mapará no fim de semana

Publicado em 15 de março, 2018

Lago do Rei é um complexo formado por mais de 60 lagos de várzeas e uma das áreas de grande potencial de pesca do Estado. Foto: Divulgação

Setecentos mil reais de faturamento, no mínimo, é o que esperam os pescadores artesanais de Careiro da Várzea com a Pesca do Mapará 2018, evento comercial de caráter comunitário que acontecerá no período de 16 a 19 de março no Lago do Rei, um complexo lacustre formado por mais de 60 lagos de várzea e que é uma das áreas de maior potencial piscoso do Amazonas.

A fase mais intensa da temporada de pesca do mapará no Lago do Rei é bem curta porque logo os cardumes se dispersam e entram por áreas de difícil acesso para os pescadores, tornando-se antieconômica em termos comerciais.

Abertura oficial

E abertura oficial da temporada ocorre sempre no dia 16 porque o defeso, período de quatro meses iniciado em 15 de novembro em que fica proibida a pesca do mapará e de outras espécies (pirarucu, tambaqui, matrinxã, pirapitinga, sardinha, pacu e aruanã) para proteção da reprodução, termina exatamente no dia 15 de março.

A pesca do mapará no Lago do Rei, que até 2016 era desorganizada e pouco rentável para os pescadores de Careiro da Várzea, ganhou nova perspectiva a partir do ano passado, quando a Prefeitura Municipal começou a mobilizar as comunidades daquele complexo de lagos e seu entorno para a discussão de um acordo de pesca voltado para a proteção e preservação dos mananciais.

Comunitários

“Foi algo tão envolvente e com um grau de resposta tão positivo dos comunitários que, já em 2017, foi possível dar uma nova dinâmica a essa pescaria, evitando-se a invasão de barcos “estrangeiros”, a pesca predatória e outras práticas danosas”, ressalta o secretário municipal de Meio Ambiente, Raimundo Passos.

Entre as decisões tomadas coletivamente pelos comunitários, após uma série de reuniões nas principais localidades do complexo e de áreas vizinhas, estavam as regras básicas para participação na pescaria, formas de evitar a captura de peixes muito pequenos, quantidade máxima de malhadeiras por canoa e preço mínimo para a venda direta a compradores que mobilizaram grandes estruturas para efetuar a compra do pescado dentro do próprio lago.

Acordo de pesca

“Mesmo sem termos chegado à formalização do acordo de pesca antes do evento no ano passado, porque o tempo era muito curto para isso, as rodadas de discussões permitiram a costura de um pré-acordo e o estabelecimento de regras que geraram resultados bastante positivos”, explica o secretário municipal de Pesca e Aquicultura, Aldo Procópio, segundo o qual chegou-se a mais de 140 toneladas de pescado e a quase R$ 500 mil injetados diretamente nas mãos dos pescadores, sem qualquer tipo de intermediário.

A história

A importância do Lago do Rei para a pesca vem desde o século XVII quando, em 1667, o local foi instituído como um dos pesqueiros reais da Coroa Portuguesa e passou a ser reservado à captura de animais aquáticos, principalmente peixes, para alimentar os militares e funcionários da Fazenda Real. Sendo o nome do lago originário desse contexto histórico.

O peixe

Há mais de duas décadas, uma das atividades que tem se destacado no Lago dos Reis é a pesca do mapará (Hypophthalmus spp.).

Os maparás são bagres de pequeno porte pertencentes à Ordem Siluriformes, família Hypophthalmidae e gênero Hypophthalmus com três espécies (Hypophthalmus marginatus, H. fimbriatus e H. edentatus) e encontradas nos rios Amazonas e seus afluentes.

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