Segunda-feira, 16 de julho de 2018

PCC recruta venezuelanos em prisão de Roraima. No Amazonas, facção perde força

Portão principal do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), na capital amazonense, onde 56 detentos foram mortos em uma rebelião. Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil

Da Redação e Agências

O Amazonas é um dos 11 Estados brasileiros onde há conflito intenso com uma das maiores facções criminosas do País, o Primeiro Comando da Capital (PCC).

E agora na vizinha Roraima, especialmente em Boa Vista, o PCC intensifica a cooptação de venezuelanos para aumentar o recrutamento de novos integrantes Brasil afora.

Ano passado, o grupo enfrentou no Estado um dos mais violentos massacres em presídios, que terminou na morte de 56 detentos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj). A chacina foi ordenada pela rival Família do Norte (FDN), que aqui é associada com o Comando Vermelho (CV).

30 mil

Com a ordem de recrutar até 30 mil novos integrantes até o fim de 2018, o PCC aproveita a crise humanitária da Venezuela para ampliar sua força na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), a maior de Roraima, que tem mais de 1.200 presos.

A cadeia em Roraima é dominada pela facção, ao contrário do que acontece nos presídios de Manaus, onde FDN e CV são maioria.

As disputas entre as facções se estendem para fora das prisões em pelo menos 17 dos 27 Estados do País, conforme levantamento realizado pelo Ministério Público de São Paulo.

Novos membros

O recrutamento de novos integrantes promoveu uma “série de batismos” para aumentar o contingente do grupo criminoso. Em 2014, só fora de São Paulo eles eram 3.231, e passaram para 16.195, em 2017. Na contramão, o Comando Vermelho tem 9 mil seguidores fora do berço de origem, o Rio de Janeiro.

Uma fonte da Secretaria de Inteligência (Seai), da Secretaria Pública de Segurança (SSP-AM), ouvida pelo Portal, reafirma que a facção paulista perdeu muita força no Amazonas após a chacina do Compaj e que tem certa liderança em Roraima.

“Mas também em Roraima, fazendo uma análise com outras regiões do País, o grupo também está enfraquecido”, comentou.

Somente no caso de ocorrer um fortalecimento do PCC no vizinho, poderia ter influência no Amazonas. “Hoje não tem poder de influência, segundo nossas informações. Havendo um fortalecimento, pela proximidade, evidentemente acaba que interfere na segurança pública estadual”.

Expansão

A expansão do PCC para fora das divisas paulistas ocorre desde o final dos anos 1990, quando, em 1998, o governo de São Paulo transferiu chefes do grupo para outros Estados, para presídios federais e em isolamento.

A guerra entre facções, além dos 56 mortos no Amazonas, gerou outros 45 assassinatos de detentos na penitenciária em Boa Vista, em 2016.

Recrutamento

Desde o fim de 2016, com a complicação na crise na Venezuela, migrações afetam Roraima e Manaus diretamente, onde venezuelanos buscam saúde, emprego e sobrevivência.

A cidade de Pacaraima, na fronteira, e a capital Boa Vista são as que mais notam os efeitos do fluxo. Há superlotação em abrigos e um grande número de pedintes nos semáforos.

Sem trabalho e renda, muitos se envolvem em crimes, desde pequenos, como furtos e roubos de celulares, até o tráfico de drogas. O crescimento de presos venezuelanos no sistema de Roraima, em um ano, foi de incríveis 1.200%, saindo de 5 para 60.

O PCC se aproveita da fragilidade e coopta os estrangeiros para fortalecer o grupo, as conexões internacionais e a lavagem de dinheiro.

Emergência

No dia 4 de dezembro, a situação de migração levou a governadora Suely Campos (PP) a decretar situação de emergência no Estado.

No documento publicado no Diário Oficial, ela sustenta que o agravamento da situação se deu ante ao “ inesperado e rápido aumento do número de imigrantes que chegaram ao Estado de Roraima, majorando significativamente o contingente de estrangeiros, sem que possuam meios e condições para sua manutenção”.

A rodovia BR-174, que dá acesso ao Pamc, é a mesma que, 200 quilômetros mais a frente, vai dar em Santa Elena de Uairén, principal porta de entrada dos estrangeiros vizinhos ao território brasileiro.

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