31/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Capitão da PM é condenado a 48 anos de prisão por chacina em 1998

Publicado em 09 de novembro, 2017

Capitão da PM Jackson Gama Feitosa foi condenado por homicídio duplamente qualificado de três homens da mesma família. Crime ocorreu em 1998. Foto: Divulgação

Após 19 anos, o capitão da Polícia Militar, Jackson Gama Feitosa foi condenado a 48 anos de prisão pelo conselho de sentença da 2a Vara do Tribunal do Júri. Ele é réu no crime de triplo homicídio de uma mesma família, ocorrido em 1998.

Na época, foram assassinados o mestre de obras Júlio Smith Barbosa, Charles Smith Barbosa e André Correa Barbosa, respectivamente pai, filho e sobrinho. Eles foram sequestrados durante uma blitz comandada pelo PM e mais três policiais, à paisana, executados e os corpos desovados numa área de mata no conjunto Tocantins.

À época, o terceiro sargento – e mais três pessoas, todos à paisana, armados com revólver e utilizando um veículo modelo Gol de placa JWH 6890, se posicionaram na rua Danilo Areosa, bairro da Compensa I, zona Oeste de Manaus, onde passaram a realizar uma suposta blitz, revistando pessoas e veículos que passavam no local. Foi quando abordaram o veículo modelo Kadette, em que viajavam as três vítimas.

Conforme relatos de testemunhas, constantes no inquérito policial, as três vítimas chegaram a ser agredidas antes de serem levadas – no Gol e no Kadette – pelos quatro homens, sob a acusação de serem membros de “galeras”. Horas depois, Júlio, Charles e André foram encontrados mortos, com tiros na cabeça.

Pela morte de cada uma das vítimas o capitão pegou a pena de 16 anos, em regime fechado, por homicídio duplamente qualificado. O Ministério Público deverá pedir o cumprimento imediato da pena. O PM também perde o cargo na corporação pela condenação.

Medida judicial

O julgamento terminou na noite desta quarta-feira (8), sendo presidido pelo juiz auxiliar Rafael Raposo, tendo na acusação o promotor de Justiça Ednaldo Medeiros, e na defesa do réu o advogado Anielo Aufiero.

Durante os 19 anos até o julgamento de ontem, o PM conseguiu adiar ao máximo sentar no banco dos réus com vários recursos e se manteve na corporação por força de medida judicial. Nesse período, ele também subiu de posto, passando de praça para oficial.

O crime ocorreu em 4 de junho de 1998. No dia, o trio foi abordado no Alvorada, zona Centro-Oeste, numa blitz da PM, com os policiais à paisana. As vítimas foram encontradas no dia seguinte no matagal.

Tentativa de homicídio

Em dezembro de 2015, o capitão se envolveu em outra ocorrência, uma tentativa de homicídio contra um policial militar lotado na Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM).

O capitão efetuou seis disparos contra o PM Eder dos Santos Fernandes, 33, dos quais dois atingiram as pernas da vítima. Na época, foi aberto um inquérito policial para apurar o fato, que será encaminhado à Justiça Militar.

Uma testemunha contou que antes dos tiros houve um discussão entre os motoristas, que estavam na rua Herman Lima, conjunto Aruanã, bairro Compensa 1, zona Oeste. O capitão já desceu do carro atirando contra o PM.

Em nota, na época, a SSP-AM informou que a Corregedoria-Geral abriria sindicância para apurar o fato ocorrido.

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