15/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Mais da metade da Região Norte diz se sentir vizinha do crime organizado, mostra pesquisa

Publicado em 29 de agosto, 2017

Segundo pesquisa do Instituto Datafolha, 65% da Região Norte sente a presença do crime organizado e facção criminosa, no que chamam de taxa de vitimização, ou seja, sensação de que podem ser vítimas da violência. Foto: Divulgação

Da Redação e Agências

No Amazonas, nos seis primeiros meses, foram registrados 506 casos de homicídios, uma média de 84 mortes por mês. E 65% da população da Região Norte sente a presença do crime organizado e facção criminosa, segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública feita pelo Instituto Datafolha. Os cidadãos citam que já sofreram ou conhecem alguém que foi vítima da violência.

Essa taxa de vitimização, que indica a percepção de insegurança, é notada com maior intensidade nas regiões metropolitanas, e no Brasil 50 milhões de pessoas com mais de 16 anos tem um amigo, parente ou conhecido próximo que já foi assassinado ou sofreu latrocínio (roubo seguido de morte). No Norte, esse porcentual chega a 45%.

Entrevistas em 130 municípios ouviram 2.087 pessoas, em uma amostra nacional. A margem de erro é dois pontos porcentuais, com nível de confiança de 95%. O resultado à consulta “Você diria que a chance de existir crime organizado ou facção na sua vizinhança é…” alta para 23% e média para 26% – nos quesitos em que se concorda que há esse tipo de criminalidade –, 24% para baixa e 23% para nenhuma.

Para o diretor-presidente do Fórum, o sociólogo Renato Sérgio de Lima, não há como tentar minimizar os dados da pesquisa. “Precisa haver investimento e ações específicas no desmantelamento de quadrilhas e apreensão de armas, para citar exemplos. É um alerta.”

Ao mesmo tempo, ressalta que o resultado tem um lado “positivo”. Ele classifica como “cômoda” a atribuição pelos governantes de que toda a violência é causada pelo tráfico e, diante de um problema generalizado, “parte-se para um salve-se quem puder”.

“De fato, não dá para ignorar a influência do tráfico no crescimento da criminalidade. Mas a pesquisa mostra que não está tudo dominado, como se poderia pensar. Há espaço para políticas públicas e ações de prevenção. Dá para planejar e intervir sem necessariamente ser uma guerra de todos contra todos.”

A percepção é mensurada em um ano particularmente violento no País e no Amazonas. Na semana passada foi divulgado que no primeiro semestre deste ano, o número de homicídios já superou a marca dos 28 mil, 6,79% a mais do que no mesmo período de 2016.

Em alguns Estados, como Rio Grande do Norte, Ceará e Alagoas, o aumento é explicado em parte pelo acirramento de brigas entre facções. No âmbito nacional, o Brasil testemunhou três massacres em cadeias no ano, com a rixa entre PCC e Comando Vermelho. No Amazonas, se incluí ainda a Família do Norte (FDN).

Estadual

Por dia, o Amazonas registrou quase 3 homicídios neste ano, no período de janeiro a julho, e está na lista dos Estados onde a escalada de assassinatos segue em alta no Brasil, ocupando o 8º lugar. No País, até julho, foram 28 mil assassinatos cometidos, de acordo com dados fornecidos pelas secretarias estaduais de segurança pública, incluindo homicídios dolosos, lesões corporais graves seguidas de morte e latrocínios (roubos seguidos de morte).

Os assassinatos estão ligados, em sua maioria, ao tráfico de drogas. O levantamento foi feito pelo jornal O Estado de S.Paulo e pelo UOL, fazendo ligações diretas com o narcotráfico na região.

São 155 assassinatos por dia no País, cerca de 6 por hora nos Estados brasileiros. O número é 6,79% maior do que no mesmo período do ano passado e indica que o Brasil pode retornar à casa dos 60 mil casos anuais – número que se aproxima de uma guerra ou epidemia fatal.

O aumento acontece em um ano marcado pelos massacres em presídios, pelo acirramento de uma briga de duas facções do crime organizado – Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV) e Família do Norte (FDN) -, dificuldades de investimento dos Estados na área e um plano federal de apoio que avança menos que o prometido.

No dia 1º de janeiro deste ano, no Complexo Penitenciário Aníbio Jobim (Compaj), o Amazonas entrou para a história das chacinas no Brasil, quando ocorreu o massacre que terminou com a morte de 56 detentos, a maioria ligada ao PCC, após uma ordem de execução da FDN.

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