
Defesa de “João Branco” e de mais três outros réus deixaram o caso neste sábado, provocando reviravolta no caso. Foto: Arquivo
O julgamento do narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, um dos cinco réus acusados da morte do delegado Oscar Cardoso, teve uma reviravolta neste sábado (26). Os advogados dos réus “João Branco”, Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, Diego Bruno de Souza Moldes e Messias Maia Sodré, abandonaram o julgamento que vem sendo realizado desde ontem, no Fórum Henoch Reis.
Os quatro são acusados de assassinar o delegado Oscar Cardoso, em 2014, com 18 tiros. Os advogados do réu Mário Jorge Nobre de Albuquerque, o “Mário Tabatinga”, optaram por permanecer diante do júri e o julgamento segue somente para ele. A defesa acredita que pode inocentá-lo.
O promotor responsável pela acusação, Edinaldo Medeiros, classificou a decisão da defesa dos réus como falta de respeito e como uma “armação liderada pelo ‘João Branco'”. De acordo com ele, os advogados não levaram em conta que dinheiro público está sendo gasto com um julgamento que teve seu andamento prejudicado. A Defensoria Pública do Estado será comunicada da decisão tomada na sessão.
A tendência é que ainda neste sábado saia a decisão sobre o destino de “Mário Tabatinga”, enquanto os outros réus devem ser julgados posteriormente, quando novos defensores estiverem constituídos. Não há data definida para os novos julgamentos e como vão ocorrer, se juntos ou em separado.
Estratégia
As defesas dos quatro réus que deixaram o julgamento hoje alegou que seus clientes estavam sendo prejudicados sem direito a ampla defesa, apontando prejuízos em razão de diversos pedidos indeferidos, especialmente de uma testemunha, um policia militar que está no interior para o trabalho das eleições deste domingo.
“Essa testemunha era imprescindível. Se continuo o julgamento, abro mão daquela testemunha. Esse foi o momento da defesa falar, e falei assim que abriram os trabalhos. Não íamos mais nos pronunciar”, afirmou o advogado carioca José Maurício Neville, responsável por defender “João Branco”. Ontem ele havia tentado suspender o julgamento pela mesma razão, mas seu pedido foi indeferido pelo juiz Anésio Rocha.
Ao abandonar o plenário neste sábado, Neville e a outra advogada, Tereza Castro, foram multados em R$ 100 mil, multa a qual devem recorrer. Oficialmente, a defesa foi destituída e o narcotraficante passa a ter nomeado um defensor público.
“Não posso mais advogar neste processo. Mas no dia que for designada uma nova data do seu julgamento, o João Pinto vai dizer quem é seu advogado, e poderia fazer sua defesa. O tempo estabelecido é muito curto para julgar cinco réus. E não vejo prejuízo nenhum à Justiça com despesas causadas pelo meu cliente, que estava participando por meio de viodeoconferência. Tudo o que pedimos é ampla defesa”, disse Neville, ao deixar o fórum.
O advogado Eguinaldo Moura, responsável pela defesa de “Marcos Pará”, facultou a decisão ao seu cliente, que diante do júri destituiu sua defesa. O juiz deu prazo de 10 dias para que o réu definisse um novo advogado para representá-lo. Sem advogado ele não poderia continuar sendo julgado.
O defensor público Wilsomar de Deus Ferreira, que atua na defesa de Messias Maia Sodré, disse que o julgamento estava prejudicado e que nenhum pedido seu havia sido atendido. Ele também alegou ter entrado no processo há pouco tempo e que solicitou ao juiz mais prazo, o que foi recusado. “A defesa ficou prejudicada. Não está sendo um julgamento justo. A testemunha importante é um soldado da polícia, que teria participado do esquema de corrupção de Oscar”, disse o defensor.
História
O delegado da PC, Oscar Cardoso, foi executado no dia 9 de março de 2014, com vários tiros de pistola ponto 40 e 9 milímetros, no bairro de São Francisco, zona Sul. Segundo as investigações, o delegado estava em uma banca de peixe quando um veículo parou no local. Os ocupantes, que seriam “João Branco”, “Marcos Pará”, Messias, “Maresia” (morto) e “Marquinhos Eletricista” (morto), desceram e teriam efetuado vários disparos contra a vítima, sendo recolhidas no local do crime 22 cápsulas de pistola calibre 40 e 11 de pistola calibre 9 milímetros.