
Última testemunha de acusação do julgamento do assassinato do delegado Oscar Cardoso, o delegado Mario José da Silva Jr. montou mapa a partir do rastreio dos telefones dos réus no dia do crime, cruzando com as informações das antenas. Foto: Igor Braga/ TJAM
Última testemunha de acusação do julgamento do assassinato do delegado Oscar Cardoso, executado em 2014, que tem entre os réus o narcotraficante e líder da facção criminosa (FDN), João Pinto Carioca, o “João Branco”, o delegado Mario José da Silva Júnior usou tecnologia e mapa do Google Earth para mostrar a rota dos réus no dia da execução.
A partir dos sinais dos telefones usados pelos réus em julgamento, Mario mostrou um mapa montado a partir das localizações das Estações Radio Base (ERBs), que são equipamentos que fazem a conexão entre os celulares e a companhia telefônica, e ficam espalhados em vários pontos da cidade.
O delegado contou detalhes da execução de Oscar Cardoso, construindo a rota feita por Messias Maia Sodré, Diego Bruno de Souza Moldes e Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, que estão sendo julgados. No mapa, aparece exatamente o deslocamento de cada um pelo sinal telefônico emitido no dia da execução, sendo preciso apontar o caminho realizado até a avenida do Turismo, onde pegariam o carro Gran Siena branco, com Mário Jorge Nobre de Albuquerque, o “Mário Tabatinga”.
“Em seguida, eles se deslocam até o local do crime. Os sinais das ERBs e o cruzamento de dados mostram que ‘Marcos Pará’ seria o motorista, levando Messias e Diego, os atiradores que saíram do carro naquele dia”, falou, em depoimento, o delegado. Após a execução, os sinais convergem para um mesmo local, no Distrito Industrial, onde o veículo usado pelo grupo foi incendiado. Os homens teriam fugido num Voyage prata, que aparece na instrução do inquérito criminal, que os levou até o bairro do Alvorada, onde morava “Marcos Pará”.
“João Branco” é acusado de ser o mandante do crime e participa do julgamento por videoconferência, do presídio federal de Catanduvas (PR). Segundo enfatizou Mario José, o narcotraficante da FDN teria participado do crime, saindo da penitenciária de carona com “Mário Tabatinga” até o ponto de encontro na avenida do Turismo. Na época, ele cumpria pena no regime semi-aberto.
A 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus iniciou nesta sexta-feira (25), no Plenário Luiz Augusto Santa Cruz Machado, no Fórum Ministro Henoch Reis, bairro São Francisco, a sessão de julgamento de cinco réus acusados de planejar e executar o homicídio do delegado Oscar Cardoso Filho, em março de 2014.
Penúltima
O sargento da Polícia Militar aposentado, Einar Magalhães Ribeiro, foi a penúltima testemunha de acusação ouvida no dia de hoje. Durante seu depoimento, ele foi citado como segurança do delegado Oscar Cardoso e que integrava um grupo de policiais que foi preso na operação Tribunal de Rua, em outubro de 2013. A operação prendeu um grupo envolvido em crimes de extorsão, sequestro, tráfico de drogas, associação para o tráfico e corrupção ativa praticados em Manaus.
O próprio delegado Oscar Cardoso foi detido na operação, com Einar, o cabo da PM José Samuel Spner, os soldados Ronaldo Bacuri Machado, Nadison de Souza Miranda, Donato Paz da Silva, Williames de Souza Castro e o ex-PM Wanderlan Fernandes De Oliveira. Na época, o grupo foi acusado de ter sequestrado e violentado a mulher de “João Branco”, que seria um dos motivos para o assassinato do delegado.
A defesa tenta, desde o início do julgamento, levantar a hipótese de que havia alguém, no grupo que matou o delegado, que seria infiltrado da Secretaria de Segurança, em razão das munições e cartuchos encontrados serem de uso da polícia. Os advogados de defesa alegam que havia alguém da segurança dando apoio ao crime.
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