19/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Última testemunha de acusação, delegado Mario José usa tecnologia para mostrar localização dos réus no dia do assassinato

Publicado em 25 de agosto, 2017

Última testemunha de acusação do julgamento do assassinato do delegado Oscar Cardoso, o delegado Mario José da Silva Jr. montou mapa a partir do rastreio dos telefones dos réus no dia do crime, cruzando com as informações das antenas. Foto: Igor Braga/ TJAM

Última testemunha de acusação do julgamento do assassinato do delegado Oscar Cardoso, executado em 2014, que tem entre os réus o narcotraficante e líder da facção criminosa (FDN), João Pinto Carioca, o “João Branco”, o delegado Mario José da Silva Júnior usou tecnologia e mapa do Google Earth para mostrar a rota dos réus no dia da execução.

A partir dos sinais dos telefones usados pelos réus em julgamento, Mario mostrou um mapa montado a partir das localizações das Estações Radio Base (ERBs), que são equipamentos que fazem a conexão entre os celulares e a companhia telefônica, e ficam espalhados em vários pontos da cidade.

O delegado contou detalhes da execução de Oscar Cardoso, construindo a rota feita por Messias Maia Sodré, Diego Bruno de Souza Moldes e Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, que estão sendo julgados. No mapa, aparece exatamente o deslocamento de cada um pelo sinal telefônico emitido no dia da execução, sendo preciso apontar o caminho realizado até a avenida do Turismo, onde pegariam o carro Gran Siena branco, com Mário Jorge Nobre de Albuquerque, o “Mário Tabatinga”.

“Em seguida, eles se deslocam até o local do crime. Os sinais das ERBs e o cruzamento de dados mostram que ‘Marcos Pará’ seria o motorista, levando Messias e Diego, os atiradores que saíram do carro naquele dia”, falou, em depoimento, o delegado. Após a execução, os sinais convergem para um mesmo local, no Distrito Industrial, onde o veículo usado pelo grupo foi incendiado. Os homens teriam fugido num Voyage prata, que aparece na instrução do inquérito criminal, que os levou até o bairro do Alvorada, onde morava “Marcos Pará”.

“João Branco” é acusado de ser o mandante do crime e participa do julgamento por videoconferência, do presídio federal de Catanduvas (PR). Segundo enfatizou Mario José, o narcotraficante da FDN teria participado do crime, saindo da penitenciária de carona com “Mário Tabatinga” até o ponto de encontro na avenida do Turismo. Na época, ele cumpria pena no regime semi-aberto.

A 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus iniciou nesta sexta-feira (25), no Plenário Luiz Augusto Santa Cruz Machado, no Fórum Ministro Henoch Reis, bairro São Francisco, a sessão de julgamento de cinco réus acusados de planejar e executar o homicídio do delegado Oscar Cardoso Filho, em março de 2014.

Penúltima

O sargento da Polícia Militar aposentado, Einar Magalhães Ribeiro, foi a penúltima testemunha de acusação ouvida no dia de hoje. Durante seu depoimento, ele foi citado como segurança do delegado Oscar Cardoso e que integrava um grupo de policiais que foi preso na operação Tribunal de Rua, em outubro de 2013. A operação prendeu um grupo envolvido em crimes de extorsão, sequestro, tráfico de drogas, associação para o tráfico e corrupção ativa praticados em Manaus.

O próprio delegado Oscar Cardoso foi detido na operação, com Einar, o cabo da PM José Samuel Spner, os soldados Ronaldo Bacuri Machado, Nadison de Souza Miranda, Donato Paz da Silva, Williames de Souza Castro e o ex-PM Wanderlan Fernandes De Oliveira. Na época, o grupo foi acusado de ter sequestrado e violentado a mulher de “João Branco”, que seria um dos motivos para o assassinato do delegado.

A defesa tenta, desde o início do julgamento, levantar a hipótese de que havia alguém, no grupo que matou o delegado, que seria infiltrado da Secretaria de Segurança, em razão das munições e cartuchos encontrados serem de uso da polícia. Os advogados de defesa alegam que havia alguém da segurança dando apoio ao crime.

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