
Testemunha que teria vendido carro usado no crime revelou sua identidade e negou ter envolvimento com os réus e até mesmo conhecer os mesmos. Discurso contradiz outros três depoimentos já prestados. Foto: PMS
A segunda testemunha ouvida nesta sexta-feira (25), de acusação, durante o julgamento do caso do assassinato do delegado Oscar Cardoso, executado em 2014, que tem como réus o narcotraficante e líder da facção criminosa (FDN), João Pinto Carioca, o “João Branco”, revelou a identidade e contou que pediu para entrar no Sistema de Proteção a Testemunhas.
Durante seu depoimento na sessão do Tribunal do Júri, no Fórum Ministro Henoch Reis, William Rocha Bezerra não usou a balaclava (espécie de touca que protege a identidade facial) e fez uma série de negativas, contradizendo três depoimentos prestados anteriormente, no qual teria participado do crime fornecendo o carro usado pelo grupo na execução, um Gran Siena branco.
Hoje, ele negou ter envolvimento com os acusados da morte do delegado, incluindo “João Branco”, e que nos depoimentos anteriores teria mentido em razão de forte pressão psicológica que estava sofrendo, além do medo de morrer. Logo após o assassinato, William Rocha ficou preso 40 dias, durante as primeiras investigações em torno do caso.
Segundo o inquérito policial, a testemunha também teria uma empresa de aluguel de carros, fornecendo o veículo usado no dia do crime de execução do delegado. Ele teria vendido o carro a Messias Maia Sodré, um dos réus do julgamento, por R$ 10 mil, num negócio intermediado por outro réu, Mário Jorge Nobre de Albuquerque, o “Mário Tabatinga”.
Num depoimento cheio de contradições, William Rocha negou conhecer os réus. Na instrução do inquérito, a testemunha contou que conhecia “João Branco”, que havia se encontrado com ele e mais outros traficantes do grupo numa peixaria, onde o narcotraficante da Família do Norte (FDN) contou que se vingaria do estupro da mulher, matando o delegado.
Nesses relatos, a testemunha afirmava ter relação próxima aos réus, frequentando balneários e sítios dos mesmos, em Manacapuru e Rio Preto da Eva. Hoje ele negou qualquer tipo de relação do tipo com os réus.
Para o advogado de defesa de Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará” – que está preso na Penitenciária Federal de Mossoró (RN) -, testemunhas como William são imprescindíveis porque não reconhecem os réus como autores do crime e evidenciam falhas no inquérito policial. “Testemunhas assim são imprescindíveis para a defesa”, falou rapidamente o advogado Eguinaldo Moura.
O promotor de Justiça, Ednaldo Medeiros, responsável pelo caso, afirmou que o depoimento da testemunha é totalmente contraditório. Há risco de William Rocha ser preso por falso testemunho.
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