
Segundo reunião entre o secretário Nacional de Educação Básica do MEC, Rossieli Soares, e a secretária da Semed, Kátia Schweickardt, formato educacional terá como foco a cultura da etnia Warao. Foto: Assessoria Semed
Crianças indígenas venezuelanas, da etnia Warao, começarão as aulas na rede pública de ensino a partir do segundo semestre deste ano. O formato do atendimento educacional, local, escolha de professores da própria etnia para um ensino bilíngue, dentre outros assuntos relacionados ao tema foram discutidos durante reunião, nesta sexta-feira (2), na sede da Secretaria Municipal de Educação (Semed), entre representantes da Gestão Educacional e da Gerência de Educação Escolar Indígena (Geei) do órgão e Ministério da Educação (MEC).
A intenção da Prefeitura de Manaus é oferecer um ensino humanizado e que respeite a cultura, língua materna e tradição indígena da etnia Warao, assim como já é desenvolvido com os estudantes indígenas atendidos pela rede pública municipal de ensino da capital amazonense. A iniciativa, por meio da Semed, tem apoio do governo federal, por meio do MEC.
Conforme reunião entre o secretário Nacional de Educação Básica do MEC, Rossieli Soares, a secretária da Semed, Kátia Schweickardt, a subsecretária de Gestão Educacional, Euzeni Trajano, e a gerente da Geei, Altaci Rubim, dentre as ações iniciais, há a criação de salas de aula nos abrigos onde os indígenas estão sendo atendidos.
Elas funcionarão nos turnos matutino e vespertino, com turmas multisseriadas. Haverá ainda a seleção de professores bilíngues, com carga horária de 40h. Dos mais de 400 waraos em Manaus, 254 foram para o Serviço de Acolhimento Institucional de Adultos e Família, no Coroado, na zona Leste, e os demais estão no centro da capital.
Segundo Rossieli Soares, a visita ao Amazonas e em Roraima visa verificar de perto como o MEC pode apoiar os Estados e municípios, que receberam as famílias indígenas venezuelanas, oferecendo um atendimento educacional diferenciado. Soares destacou, ainda, a importância de uma nova reunião por videoconferência, na próxima semana, para avançar em algumas ideias discutidas, nesta sexta-feira.
“A educação (atendimento) cabe tanto à rede municipal, quanto a estadual, mas cabe ao MEC apoiar nesse momento para que as redes de cada um desses Estados possam ter condição de fazer esse atendimento que será muito específico, diferenciado. O que estamos construindo é como oferecer um ensino humanitário observando as regras, os desafios relacionados à escolaridade, língua e cultura sobre vários aspectos”, destacou.
A secretária da Semed, Kátia Schweickardt, afirmou que mesmo ainda sendo um atendimento complexo, devido à falta de informações educacionais, como a proficiência das crianças e a matriz curricular, a rede iniciará as aulas com quatro turmas, no segundo semestre deste ano. “A maior parte (dessas crianças) nunca estudou. Estamos, junto com o MEC, propondo a organização emergencial de duas salas de aula para funcionar, já agora no segundo semestre, nesses abrigos. Teremos dois professores trabalhando 40 horas nessas quatro turmas. Vamos construir com eles uma matriz curricular e acompanhar pedagogicamente esse trabalho”.
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