
Um grupo de 297 venezuelanos que ocupavam o viaduto de Flores e arredores foram transferidos hoje para sede do Serviço de Acolhimento, no Coroado. Fotos: Bruno Zanardo/ Secom
Um total de 297 venezuelanos que ocupavam o entorno do viaduto de Flores e os arredores da rodoviária de Manaus, no bairro Nossa Senhora das Graças, zona Centro-Sul, foram transferidos do local nesta quinta, 1°, e levados para o abrigo do Serviço de Acolhimento Institucional de Adultos e Família do Governo do Amazonas, na alameda Cosme Ferreira, s/n, Coroado. O espaço foi preparado para receber os migrantes.
Debaixo da estrutura do viaduto de Flores, ocupado desde o final do ano passado, estavam 65 famílias, sendo 54 homens, 85 mulheres e 150 crianças, além de quatro idosos e três recém-nascidos. As famílias permaneceram no local, em barracos improvisados, por aproximadamente 6 meses.
A transferência dos venezuelanos para o abrigo foi coordenada pela Secretaria Estadual de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), com o apoio da Secretaria de Assistência Social (Seas), do Fundo de Promoção Social (FPS) e da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). Três ônibus, duas vans e dois caminhões baú auxiliaram no transporte das famílias e de seus pertences.
O Governo do Estado, desde a chegada dos primeiros migrantes tem atuado no processo de acolhimento das famílias. Segundo a titular da Sejusc, Graça Prola, além do serviço de acolhimento, as pessoas receberão no abrigo apoio de equipes multissetoriais do Estado e da Prefeitura, incluindo assistentes sociais e psicólogos.
“Estamos, desde dezembro, quando começaram a chegar os primeiros migrantes, trabalhando de maneira intersetorial, com órgãos dos governos estadual, federal e municipal, em uma ação coesa, articulada, e atuando não somente no acolhimento dos indígenas venezuelanos, mas também no atendimento de todas as demandas emergentes, como documentação e na área da saúde”.
A mudança para o abrigo, segundo a Sejusc, é temporária. Segundo a secretária Graça Prola, alguns migrantes buscam apoio para retornar ao país de origem ainda este mês, outros procuram trabalho e pretendem voltar até o final do ano.
Vida marcada
A passagem pela cidade pode até ser provisória ou definitiva para outras famílias, mas para a do venezuelano Nestor Moraledo, 36, já se tornou marcante. Em Manaus, nasceu há 3 meses mais uma filha do imigrante. Prematura de seis meses – hoje com nove – ela é quem dá forças para a família lutar. Ele conta que por ela vai buscar trabalho para, em dezembro, voltar a Venezuela.
“Estava passando fome na Venezuela e por isso vim para Manaus. Minha esposa veio grávida e aqui nasceu minha filha. Eu pretendo trabalhar e ganhar algum dinheiro para voltar ao meu país”, conta.
Para a liderança dos Warao, o indígena Aníbal Peres, a transferência para o abrigo é o primeiro sinal positivo que às famílias recebem desde que chegaram à cidade. “Vir para o abrigo representa um acolhimento. Lá onde estávamos era um lugar ruim, sem estrutura e sem perspectiva de algo melhor. Com a ajuda que estamos recebendo, ficar aqui no abrigo é muito melhor que na rodoviária”, comenta.
Além de uma nova moradia, os venezuelanos vão contar com o apoio da estrutura do governo para assistência social e acolhimento. “O acolhimento inicial continuará no Posto de Atendimento ao Migrante da rodoviária, que fará o encaminhamento, a triagem médica junto ao posto da Semsa e, depois, ao abrigo na zona leste”, explica Graça Prola.

Famílias ficarão no abrigo temporariamente. Vinda da Venezuela foi provocada pela crise no País
O abrigo
De acordo com a secretária Estadual de Assistência Social, Regina Fernandes, o abrigo enquadra-se na Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, prevista na Resolução Federal nº 109, de novembro de 2009, que, dentre outras coisas, trata de proteção social especial de alta complexidade. O acolhimento para adultos e famílias, de acordo com a resolução, tem como finalidade abrigar pessoas ou grupos familiares em situação de rua, de desabrigo por abandono e de migração.
Regina Fernandes explica que, este não é o primeiro serviço de acolhimento a migrantes do Governo do Estado, que já dispõe da Casa do Migrante Jacamim, na avenida Mário Ipiranga Monteiro.
A onda de imigração por conta crise humanitária na Venezuela, que provocou a vinda de muitos imigrantes daquele país para Manaus, levou o Governo a disponibilizar um espaço maior, que, segundo o governador David Almeida, passada esta fase, também servirá para o acolhimento de pessoas vindo do interior do Estado para tratamento de saúde em Manaus, entre outras situações contempladas na Resolução.
O local, onde estão abrigados os venezuelanos, tem capacidade para acolher 300 pessoas em um espaço dotado de área comum com redário para 180 redes, dormitórios, cozinha, refeitório, banheiros, lavanderia, quintal e salas, onde funcionará a área administrativa do prédio. Além disso, o abrigo é equipado com mobiliário e utensílios domésticos (cadeiras, mesas, fogão, geladeira, panelas, etc).
A Secretaria Estadual de Educação (Seduc), que atuou na reforma do abrigo, vai oferecer escolarização para adultos e crianças.
Números
Conforme a Sejusc, há atualmente 516 venezuelanos na capital. Desse total, 297 estavam morando ao redor da rodoviária de Manaus e outros espalhados principalmente no Centro da cidade. Aproximadamente 33 imigrantes venezuelanos retornaram para a terra de origem, entre dezembro do ano passado e maio deste ano.
