25/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Indígenas venezuelanos ganham ônibus para voltar ao país de origem no dia 2 de abril

Publicado em 22 de março, 2017

Os indígenas serão levados até o município de Pacaraima, fronteira com a cidade venezuelana de Santa Elena de Uairén. Foto: José Rodrigues

No próximo dia 02 de abril, aproximadamente 72 indígenas venezuelanos vão dispor de ônibus para voltar ao seu país de origem. A deliberação foi tomada em reunião realizada na sede da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), na manhã desta quarta-feira (22/02), com representantes da Prefeitura Manaus, Ministério Público Federal, entidades representativas e indígenas.

Na data prevista serão disponibilizados dois ônibus, um custeado pelo Governo do Amazonas e o outro pela Prefeitura de Manas, que levarão os indígenas até o município de Pacaraima, fronteira com a cidade venezuelana de Santa Elena de Uairén.

Durante a reunião, uma das preocupações levantadas pela secretária Graça Prola foi sobre as autorizações para que os indígenas consigam levar consigo os pertences que ganharam como doação aqui em Manaus. “Vamos conversar com o Consul da Venezuela para que ele dê uma autorização coletiva para eles adentrarem de volta ao seu país sem nenhum atropelo, sem nenhum constrangimento levando tudo que eles receberam de doações aqui. Muitos não têm documentação, ou porque perderam, foram roubados ou porque já entraram no país sem documentos. Outros já estão com o protocolo vencido. Eles têm medo de ficarem presos logo na entrada”, disse a secretária.

Novas ações serão discutidas durante a próxima reunião da comissão para continuar analisando a situação da abordagem junto aos indígenas e não índios que continuam entrando no país em busca de alimentos e sustento, fugindo da crise econômica venezuelana.  Aspectos antropológicos, culturais dos povos indígenas, saúde e social continuarão sendo analisados para encontrar soluções que atendam a esse público.

Indígenas 

No último mês, um grupo de 117 indígenas, a maioria da etnia warao, migrou para Manaus, através de Boa Vista (RR), e se tornaram pedintes nos semáforos e ruas do Centro, recebendo dinheiro, roupas e alimentos. Um grupo de trabalho composto por 22 instituições públicas e da sociedade civil vem se mantendo atento à migração irregular de venezuelanos para Manaus.

Saúde

Uma ação integrada de promoção e atenção em saúde voltada para os indígenas venezuelanos que estão acampados no perímetro do viaduto de Flores e do Terminal Rodoviário de Manaus foi realizada pela Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), na terça-feira (21/03).

As famílias da etnia Warao participaram de atividades e serviços de escovação dentária supervisionada, entrega de kits de higiene bucal, distribuição de preservativos, entrega de medicamentos para verminoses, levantamento de situação vacinal, além de avaliação dermatológica para detecção de dermatites e outros agravos de pele. A ação é coordenada pela equipe do programa Consultório na Rua, com o apoio da Divisão de Imunização, Saúde Bucal e Núcleo de Combate às Doenças Sexuais Transmissíveis.

“Por determinação do prefeito Arthur Neto e do prefeito em exercício, Marcos Rotta, estamos monitorando esse grupo desde o último dia 12 de fevereiro, quando tivemos uma avaliação parcial das condições de saúde dessas pessoas para planejar os atendimentos”, disse o secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão Neto. O secretário destacou que a Semsa vai manter o acompanhamento de saúde até que os indígenas retornem ao território venezuelano.

“Os casos que estão demandando maior acompanhamento são o de uma grávida, que já está fazendo Pré-Natal, e de duas crianças, uma com tuberculose e outra com bronquiolite. Esses casos mais agudos já apresentaram melhora e os pacientes estão recebendo assistência integral. Os demais indígenas não apresentam sintomas de doenças graves”, apontou o enfermeiro Jailson Barbosa, coordenador do Consultório Na Rua.

 

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