04/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Melo contra-ataca e chama Braga de irresponsável e Vanessa de oportunista

Publicado em 11 de janeiro, 2017

Melo (esquerda) ainda não desistiu de anular o processo em que Braga o acusa de compra de votos e no qual foi cassado pelo TRE-AM

Depois de receber críticas do senador Eduardo Braga (à direita), o governador José Melo partiu para o ataque.

O governador José Melo (Pros) resolveu partir para o ataque e rebater às críticas feitas pelos senadores Eduardo Braga (PMDB) e Vanessa Grazziotin (PCdoB), em razão da chacina de mais de 60 presos no sistema prisional do Estado.

Em notas distribuídas nesta quarta-feira (11/01) à imprensa, Melo acusa Braga de “conduta irresponsável” e lembra que entre os anos de 2003 e 2010, período do governo do agora senador, ocorreram cerca de sete grandes rebeliões nas unidades prisionais do Amazonas.

Também responde à senadora Vanessa Grazziotin e a aconselha a “deixar de ser oportunista e de fazer ficela”, sugerindo que use o mandato para ajudar no combate ao tráfico de drogas nas fronteiras do Estado.

 

Críticas

O senador Eduardo Braga não tem poupado o governador José Melo de críticas diante da chacina de presos nas penitenciárias do Estado. Recentemente, em entrevista à Agência Estado, acusou o governador de ter feito um acordo com a facção Família do Norte (FDN) para garantir sua eleição. Segundo Braga, o grupo teria prometido dar 100 mil votos para Melo em troca de uma espécie de “liberdade condicionada”, nas palavras dele, nos presídios do Amazonas.

Em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, na terça-feira (10/01), Vanessa Grazziotin critica o descaso e a promiscuidade do Governo do Estado com o sistema prisional.

” A chacina ocorreu por absoluto descaso do governo com o sistema prisional e é de sua inteira responsabilidade, a qual não pode ser terceirizada ou privatizada”, afirmou.

 

Veja a integra das respostas do governador José Melo

Resposta ao senador Eduardo Braga

O governador José Melo repudia e rechaça a conduta irresponsável do senador Eduardo Braga que constantemente tenta relacionar a imagem do atual Governador do Estado do Amazonas em denúncias caluniosas, objetos de sua fértil e maquiavélica imaginação. As últimas declarações feitas pelo senador não possuem qualquer lastro de verdade e refletem a postura política de quem aposta na adoção de uma linha de oposição desqualificada contra o governo, baseada simplesmente na proliferação de boatos, em afirmações mentirosas que intentam não apenas prejudicar ao governador, mas a todo o Amazonas. 

Ao fazer uma análise da situação do sistema prisional do Amazonas, constata-se que tais problemas não são fatos ocorridos somente na atual gestão estadual, isto é fato. É de conhecimento da população e da imprensa, que entre os anos de 2003 e 2010, período do governo de Eduardo Braga foram cerca de sete grandes rebeliões nas unidades prisionais do Amazonas. Dentre esses registros, podem ser destacados os lamentáveis episódios ocorridos em 2007, no Instituto Penal Antonio Trindade (IPAT) que, em menos de um ano de inauguração, teve quatro fugas e uma rebelião. O IPAT foi inaugurado em maio de 2006, e classificado, na época, como presídio de segurança máxima. 

Ainda no período de atuação da gestão do então governador Eduardo Braga, em 2003, a Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) foi alvo de uma das maiores chacinas do Estado. Nesse ano, a rebelião na UPP teve 13 presos mortos. O então governador chegou a decretar situação de emergência e estado de calamidade no sistema prisional.

 A insistência do senador Eduardo Braga nesse tema e a forma irresponsável com que vem tentado ligar o nome do governador a grupos criminosos, faz pensar que existe sim, uma tentativa desesperada com intuito de desviar a atenção da opinião pública para o envolvimento do próprio senador na Operação Lava Jato, fato amplamente divulgado pela imprensa local e nacional, que aponta indícios claros da ligação de Braga em desvio de dinheiro público e recebimento de propina. 

Apesar da crise na economia, que causou perdas em todo o país, o Governo do Estado realizou expressivos investimentos no sistema de segurança pública que permitiram alcançar resultados importantes no combate à criminalidade. Isso está expresso na desarticulação de quadrilhas, detenção de mais de 18 mil suspeitos de práticas criminosas e também no crescimento das apreensões de drogas. Em apenas dois anos de gestão, através de operações das forças de Segurança Pública do Amazonas, foram apreendidas mais de 20 toneladas de entorpecentes – os números são os maiores na história de combate ao narcotráfico e superam todos os governos anteriores, incluindo os de Eduardo Braga. 

 

 

Resposta à senadora Vanessa Grazziotin

Senhora Senadora,

Sempre lhe distingui e respeitei-a muito!

Foi por essa distinção e por esse respeito que arrisquei minha vida dentro de aviões e barcos, lutando por sua eleição para o Senado da República. Ainda está na sua memória o quanto era difícil elegê-la? Será que ainda lembra dos votos obtidos e se recorda de quem coordenou toda a sua eleição no Interior? Se não lembra, permita-me reavivar a sua memória: fui eu!

O que está escrito na matéria “Pavoroso, sim! Acidente, não!”, publicada na Folha de São Paulo é, no mínimo, irresponsável comigo. Oportunista, com toda a certeza, mas Vossa Excelência não está só, temos outros oportunistas também com mandato, que pouco ou quase nada fizeram pelo nosso Estado nos últimos dois anos.

Cito, por exemplo, o Senador Eduardo Braga, que veio ainda menino do Pará para o Amazonas, recebeu aqui sua educação, formação e todos os mandatos políticos, e não ajudou o Estado nos últimos dois anos, esquecendo que deveria fazê-lo pelo povo. Ao contrário, enodoa e enlameia o nosso Estado com propinas, e por isso, segundo matérias publicadas em jornais, blogs, etc, é citado em delações premiadas da Operação Lava Jato como tendo recebido, ilicitamente, dinheiro de empreiteiras.

Na mesma Folha de São Paulo, edição de hoje, na coluna “Painel”, Vossa Excelência é citada como tendo recebido doação, em 2012, quando era candidata à Prefeitura de Manaus, de empresa ligada à terceirização (a matéria refere R$ 1,4 milhão); nem por isso eu a considero desonesta.

Mas vamos à sua matéria!

a) achar que as mortes ocorridas em Manaus têm a ver com terceirização (e não estou aqui eximindo culpa de ninguém) é, no mínimo, desconhecer as verdadeiras causas que transformaram as penitenciárias brasileiras em um barril de pólvora a explodir a qualquer momento.

A causa de tudo isso, Senadora, são o tráfico de drogas e a disputa por poder dentro dos presídios que decorre desse abominável comércio. Mesmo a senhora, que não nasceu no Amazonas, deve saber que o Peru, a Colômbia, a Bolívia, o Equador e o Paraguai, juntos, produzem mais de 90% (segundo os dados mais confiáveis 93%) de toda a cocaína consumida no mundo.

O tráfico e a distribuição de drogas nas nossas fronteiras, Senadora, é que causam a luta sangrenta pelo poder dentro das penitenciárias e a morte diária nas ruas do Brasil, com traficante matando traficante, pelo poder de distribuir e vender drogas nos centros urbanos.

Não combater isso é “tapar o sol com a peneira”; é obrigar as Secretarias de Segurança Pública a enxugar gelo todo dia; é querer curar o câncer quando ele já está em metástase. Por que não fazê-lo na origem? Impedir que as drogas produzidas no Peru, Colômbia, Equador, Paraguai e em pequena escala na Venezuela, cheguem ao Brasil? O estranho é que nunca tive notícia de um pronunciamento seu sobre isso.

b) se não sabe, quero lhe informar que a terceirização do Sistema Prisional no Amazonas começou quando o Senador Eduardo Braga era Governador, eu apenas herdei o sistema!

c) nunca tive envolvimento com tráfico de drogas. Na campanha, de forma sórdida, covarde, irresponsável e oportunista, o seu aliado político, Eduardo Braga, aproveitando a ida de um coronel da Polícia Militar, que era Subsecretário da SEJUS, à Penitenciária levar um recado do Secretário que tinha informações de um possível motim na Unidade, à bandidos que ali estavam, no sentido de evitar o acontecimento, tirou, irresponsavelmente, uma frase solta da gravação, que dizia em um trecho que “ele me mandou aqui”, insinuando de forma covarde, que ele era eu. “Ele” – e a prova já está nos autos do processo – era o então Secretário da SEJUS. O processo judicial está em instrução e tudo que já foi dito até agora leva a corroborar a minha defesa. Vossa Excelência está sendo irresponsável e leviana comigo em relação a esse episódio, Senadora.

O meu Governo, em apenas dois anos, apreendeu vinte e uma toneladas de drogas, mais do que nos últimos vinte anos, inclusive, mais do que o seu aliado político, Eduardo Braga, conseguiu em oito anos. Acrescente-se ainda, Senadora, que nos mesmos dois anos o meu Governo quase duplicou a população carcerária, e desse acréscimo mais de 70% eram criminosos do tráfico.

Na campanha, perdi feio para o seu aliado político, o Senador Eduardo Braga, nas votações dos presídios. Meu Governo elegeu o combate ao tráfico de drogas como prioritário; por isso fomos, proporcionalmente, o Estado que mais fez prisões do tráfico e de apreensões de drogas. Mas isso, lendo a matéria, de sua responsabilidade, parece que não interessa.

Quer ajudar, Senadora? Deixe de ser oportunista e de fazer “ficela”. Abrace a tese de impedir a entrada de drogas e armas no Brasil. O seu mandato de Senadora da República lhe dá muito poder; use-o pelo bem do País e pela proteção das nossas famílias e da nossa juventude.

Veja mais notícias em Política

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.