06/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Começam audiências no processo sobre bebê de quatro meses atirado no rio Negro. Pai é o principal acusado

Publicado em 24 de agosto, 2016

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Josias tentou matar Cleudes e conseguiu jogar Pablo no rio Negro. A juíza Mirza Telma (no detalhe) julga o caso

A mãe foi cobrar pensão do ex-companheiro, levando consigo o filho de ambos, Pablo Pietro, de quatro meses. Era o dia 14 de agosto de 2015. Josias de Oliveira Alves, canoeiro, usuário de drogas, convidou Cleudes Maria Batista de Moraes para atravessar o rio Negro. No meio da viagem, ele tentou matá-la sem sucesso, mas o bebê foi atirado em águas profundas. Essa foi a confissão de Josias. Hoje (24/08), a juíza da 1ª Vata do Tribunal do Júri de Manaus, Mirza Telma de Oliveira Cunha, começou a ouvir testemunhas e acusados no caso.

A audiência começou por volta das 12h30, no Fórum Ministro Henoch Reis, bairro de São Francisco, e quatro testemunhas foram ouvidas. O interrogatório de Josias foi marcado para o dia 16 de novembro, mês em que deverá ser concluída a instrução do processo. Também foram expedidas quatro cartas precatórias para ouvir testemunhas que encontram-se fora de Manaus, sendo três para o município de Manacapuru, e uma para Manaquiri. Elas serão ouvidas pelos magistrados das localidades. O processo (0232563-53.2015.8.04.0001) encontrava-se sob segredo de justiça, mas a juíza determinou nesta quarta (24/08), a quebra do sigilo.

Josias está sendo acusado de homicídio triplamente qualificado. P pela morte da criança, nos termos do art. 121, 2º, I (motivo torpe), III (meio cruel), IV (recurso que impossibilitou a defesa da vítima), combinado com art. 61, II, “e” (contra descendente) e “h” (contra criança), do Código Penal Brasileiro; e também por tentativa de homicídio quintuplamente qualificado, em relação à ex-companheira, tendo sido enquadrado no art. 121, 2º, I (motivo torpe), III (asfixia) e IV (recursos que dificultou a defesa), VI (feminicídio), combinado com o art. 14, II, todos do Código Penal Brasileiro. A defesa do réu está sob responsabilidade dos advogados Josemar Berçot Rodrigues e Josemar Júnior.

Cleudes Maria Batista de Moraes, mãe da criança e que sobreviveu ao crime, deveria ser ouvida inicialmente pelo juiz da Comarca de Manacapuru, a 84 quilômetros de Manaus. A 1ª Vara do Tribunal do Júri já expediu carta precatória para essa Comarca. O Ministério Público, representado pelo promotor de Justiça Geber Mafra Rocha, porém, pediu hoje, no final da audiência, que a vítima seja ouvida pela juíza do processo, Mirza Telma, em Manaus. “Vamos ouvir todas as testemunhas e o réu. Depois teremos os memoriais e só então podemos concluir se o réu será pronunciado ou não”, disse a magistrada. No caso de pronúncia, Josias de Oliveira Alves será levado a Júri Popular.

Uma das testemunhas a ser ouvida é confidencial e mesmo com a quebra de sigilo do processo, o nome da mesma não pode ser divulgado.

Josias teve pedido de prisão preventiva decretado no dia 18 de agosto de 2015, sendo preso no dia 21 do mesmo mês. A denúncia do Ministério Público foi encaminhada à Justiça em 13 de outubro de 2015 e em novembro foi recebida pela 1ª Vara do Tribunal do Júri, após constatação de elementos iniciais para o recebimento da denúncia. No dia 21 de março de 2016, Josias foi posto em liberdade.

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Cleudes (à esquerda) foi presa, em maio deste ano, neste grupo que estava numa casa onde a polícia encontrou drogas

Cleudes Maria Batista de Moraes foi presa no dia 11 de maio deste ano, em Manacapuru, ao ser surpreendida pela polícia numa casa apontada como ponto de distribuição de drogas. Outras quatro pessoas, três homens e uma menor, foram presas com ela.

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