A Prefeitura Municipal de Parintins, os bumbás Caprichoso e Garantido e a Maná Produções, empresa credenciada para captação de patrocínios para o Festival Folclórico, emitiram notas sobre o anúncio de corte nos recursos pelo Governo do Estado. O prefeito Alexandre da Carbrás e os presidentes Joilto Azedo e Adelson Albuquerque relatam a surpresa da comunicação e aguardam por uma reunião, marcada para terça-feira (24/05), com o próprio governador José Melo, quando esperam os detalhes da decisão.
Prefeitura e bumbás afirmam que a festa vai acontecer, com ou sem a ajuda governamental, fazendo surgir preocupação quanto à infraestrutura necessária. O Governo do Estado alega que os maiores custos são com segurança, como o envio de 700 policiais, uma semana antes, e saúde, uma vez que a cidade ganha, temporariamente, até tomógrafo, entre outros.
“A contenção de despesas não pode virar irresponsabilidade. Se não dá para mandar 100 policiais, uma semana antes, mandem 10, especialistas em prospecção na área, e nos três dias da festa pelo menos 100, que se revezarão em turnos de segurança na cidade. Seria um desastre se uma confusão terminasse em morte por falta dessa estrutura mínima”, disse um dirigente, que não quis se identificar. “Está todo mundo cauteloso, alimentando esse fio de esperança de que o governador volte atrás e ofereça o mínimo necessário. Mas, sem isso, vai todo mundo para a rua, gritar”, explica.
A Nota Oficial do Caprichoso afirma que os bumbás receberam, para aplicar na apresentação da arena, ano passado, R$ 2,040 milhões cada. O restante do dinheiro é para ser aplicado na iluminação, som e infraestrutura de limpeza e organização do Bumbódromo. O total que entra na conta dos bumbás é R$ 8,880 milhões.
Está em questionamento os outros R$ 10 milhões do total de R$ 18 milhões que José alegou serem gastos na festa. “Isso inclui aviões, que fazem até 300 voos para Parintins, por conta dos cofres estaduais, desnecessariamente, e barcos de luxo ancorados na cidade, para servir de moradia para os bacanas, além dos chamados ‘camarotes vips’, regados a whisky e comida de chef. Esse pessoal, se gosta realmente do boi, pode pagar suas próprias despesas”, disse o dirigente.
Outro questionamento é quanto aos números apresentados, após a festa do ano passado, pela Empresa Amazonense de Turismo (Amazonastur), afirmando que o Festival de Parintins movimenta, entre Manaus e Parintins, em torno de R$ 100 milhões. Cortar o subsídio do Festival seria inibir a circulação desses recursos e agravar ainda mais os efeitos da crise econômica sobre a população.
Veja as notas da Prefeitura, bumbás e empresa credenciada:
COMUNICADO PREFEITURA DE PARINTINS
Todos nós, cidadãos de Parintins, fomos surpreendidos nesta sexta-feira, 20 de maio, com a declaração do governador José Melo, em entrevista coletiva realizada na sede do governo do Estado, de que todos os repasses para o 51º Festival Folclórico de Parintins serão suspensos.
Logo que tomamos conhecimento desta declaração iniciamos contatos com diversas autoridades para resguardar o nosso Festival Folclórico. A prefeitura municipal de Parintins ainda não foi informada oficialmente da forma como o governo do estado do Amazonas irá atuar no 51º Festival Folclórico de Parintins. O posicionamento oficial sobre a participação do Governo do Amazonas deverá ser anunciado nesta terça-feira, 24 de maio.
Sabemos que muitos preparativos já estavam em pleno andamento em ações desenvolvidas pela Secretaria de Cultura do Amazonas, com quem a prefeitura mantém contato permanentemente, através do nosso Comitê de Organização do Festival Folclórico.
A Prefeitura de Parintins já está buscando soluções urgentes para realização de uma das maiores manifestações artísticas do Brasil. A hora é de cada torcedor do boi Caprichoso e do boi Garantido mostrarem, numa só voz, seu amor e carinho a esta festa que é patrimônio cultural de gerações. O Brasil já viveu outras crises e não será esta que vai derrubar o nosso Festival Folclórico de Parintins. Disso não tenho dúvidas.
Alexandre da Carbrás
Prefeito Municipal de Parintins
NOTA OFICIAL DO BUMBÁ CAPRICHOSO SOBRE CORTE DE VERBA PARA O FESTIVAL DE PARINTINS
O Caprichoso acompanhou com surpresa o anúncio de que o Governo do Estado não tem verba para o Festival Folclórico de Parintins. No momento seguinte, porém, o secretário estadual de Cultura, Robério Braga, convocou reunião, a pedido do governador José Melo, com os presidentes dos bumbás para terça-feira (24/05). A fé e o compromisso da Nação Azul e Branca e do povo de Parintins mantêm a esperança de que algo tenha mudado.
Faltam pouco mais de 30 dias para a Festa dos Bumbás. O Governo do Estado, que promove o evento há 27 anos, desde 1989, com investimento crescente, não pode mudar tão radicalmente de ideia, de uma hora para a outra.
Cada bumbá recebeu do Governo do Amazonas, em 2015, apenas R$ 2,040 milhões para a apresentação na arena. Isso e nada mais. Entraram mais R$ 2,4 milhões destinados a iluminação, som e operacionalização do Bumbódromo, totalizando R$ 8,880 milhões nos dois. Fala-se agora em R$ 18 milhões gastos no Festival Folclórico. O Estado certamente explicará de onde vêm as demais despesas.
A Nação Azul e Branca e o povo de Parintins, ainda assim, rejeitam a ideia de que, em orçamento anual do Estado de R$ 16 bilhões, os ditos R$ 18 milhões, uma gota d’água nesse oceano, sejam causadores de caos na saúde, educação ou segurança.
Este povo é criativo, guerreiro e disposto ao diálogo. Nada, porém, em momento algum, permite deixar sucumbir o patrimônio artístico e cultural que a História dos parintinenses construiu.
Haverá Festival Folclórico. A História fará justiça.
Joilto Azedo
Presidente do Boi Bumbá Caprichoso
Nota oficial do boi Garantido
Em face das recentes declarações do governador José Melo, que defendeu em seu discurso, durante coletiva á imprensa na manha desta sexta-feira (20), o corte total de investimentos do Estado no 51 Festival Folclórico de Parintins, evento de proporções nacionais e internacionais, o presidente da Associação Folclórica Boi-Bumbá Garantido (AFBBG), Adelson Albuquerque vem a público adiantar que toda e qualquer decisão desta associação folclórica diante do exposto, só ocorrerá na próxima terça-feira, quando está programada reunião oficial conjuntamente entre os presidentes dos bois e o governo do Estado
Adelson Albuquerque adianta ainda, que após o cancelamento de três reuniões com o governador José Melo, o anúncio propagado pela imprensa, após a coletiva, pegou toda a diretoria do “boi do Povão” de surpresa. O presidente do Garantido comenta ainda, que ele e toda a sua gestão, esperam o comunicado de forma oficial. Caso se confirme as declarações do governador, a decisão se configura como uma tragédia econômica para o município de Parintins. “O Festival não é somente um evento cultural por si só, faz parte da indústria cultural do Estado do Amazonas, seu desdobramento econômico é tentacular, atingindo uma cadeia que será quebrada”, declara o presidente. “Temos patrocinadores máster de porte internacional, empresas de turismo que já venderam pacotes, hotéis em Manaus e Parintins que fecharam reservas, empresas que estavam interessadas em fechar parceria com o festival e que certamente depois desse anuncio, por temeridade, não entrarão no evento”. Lamenta. “O Festival de Parintins movimenta uma cadeia econômica que se reverte em impostos para o Estado, todos ganham com o evento, não quero acreditar que o governo do Estado cometerá esse erro histórico”, finalizou Adelson Albuquerque.
Nota da Maná Produções e Eventos
Sobre os cortes do Governo de Parintins à Cultura creio que não possam ser aplicados a Parintins pois lembramos que os dados contidos na Pesquisa Sócio-econômica sobre o Festival de Parintins, realizada e divulgada pelo próprio Governo através da AmazonasTur e os dados da Prefeitura de Parintins mostram verdades inquestionáveis:
. as dezenas de milhares de turistas que participam do Festival todos os anos movimentam só na economia do Município de Parintins cerca de 65 milhões de reais, quase 50% da receita anual de Parintins.
. outros 100 milhões de reais no mínimo são movimentados em Manaus com o trade turístico, envolvendo uma permanecia média de 4 dias de turistas no Evento em Manaus e Parintins, oriundos do próprio Estado, do Pará, de São Paulo e até mesmo 4% de turistas internacionais entre outros.
. que as pesquisas indicam um gasto médio diário destes milhares de participantes do Festival de cerca de 200 reais dia, fora custos de passagem, ingressos e hospedagem.
. que hotéis em Manaus e Parintins, barcos e casas alugadas representam quase 63% da hospedagem destes turistas a um custo médio diário de 200 reais por cabeça.
. que 40% destes milhares de turistas usam avião a um custo de passagens que chega a 1000 reais no período do Festival apenas no trecho MAO-PIN-MAO e 60% usam o Barco. Só neste item são movimentados quase 40 milhões de reais.
Assim, analisando estes dados e considerando que em qualquer Estado da Federação incluindo o Amazonas, no mínimo 15% de qualquer recurso movimentado é carga tributaria do Estado, as dezenas de milhões de reais movimentados geram no caso do Festival de Parintins, milhões de reais em arrecadação para o Estado. Bem mais do que o Estado investe.
Então, quando o Governo investe no Festival de Parintins, está devolvendo ao Evento parte dos recursos que o próprio Evento gerou e vai gerar para o Estado.
O Festival ao receber os aportes do Governo está recebendo parte das riquezas que gera ao Estado. Fora a divulgação do Estado como receptor turístico, a geração de empregos, de renda ara a população.
Por isso não conseguimos entender como o aporte destinado aos Bois e à realização do Espetáculo pode ser reduzido ou cortado. O Festival gera para o Estado os recursos que o Estado vai investir no Festival. Trata-se de uma devolução do que é arrecadado direta ou indiretamente pelo Festival.
Deve haver um engano.
NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE OS PATROCÍNIOS AO FESTIVAL FOLCLÓRICO DE PARINTINS
A Maná Produções, Agência Oficial e Exclusiva das Associações Folclóricas Bois Bumbá Caprichoso e Garantido de Parintins AM, responsável pela quase totalidade dos patrocinadores privados e estatais federais do Festival, incentivados ou não, vem a público para informar o que se segue:
Maná Produções, Comunicação e Eventos
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