04/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Pensão de R$ 100 teria sido a causa da morte da menina Grazielly. Pai, madrasta e tio são suspeitos

Publicado em 25 de junho, 2015

O pagamento de uma pensão de R$ 100 teria sido a causa da morte da menina Grazielly dos Santos Costa, 9 anos, no município de Autazes. O pai Gilbervan de Jesus Eloi, 33, a madrasta Gilmara França de Souza, 32, e o tio Gilbermilson de Jesus Eloi, 35, foram presos na quarta-feira (24/06) e trazidos para Manaus, onde foram apresentados nesta quinta-feira (25/06), na Delegacia Geral da Polícia Civil, zona Centro-Oeste.

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Os três suspeitos negaram envolvimento na morte da menina Grazielly. Foto: Divulgação.

Eles só serão indiciados em 30 dias, após a conclusão das investigações. As prisões ocorreram em cumprimento a mandados de prisão temporária, expedidos ontem, 24, pelo juiz de Direito Glen Hudson Paulain Machado, da Comarca de Autazes.

Os três negaram envolvimento na morte da menina. “Eu soube que ela foi sequestrada pelo filho da minha vizinha. Imediatamente procurei ajuda, inclusive, participei das buscas pela minha filha. Eu nunca faria isso”, declarou Gilbervan.

Gilmara afirmou que não tem participação no crime. “Eu nunca disse que queria ela morta. Existia a situação do pagamento da pensão, mas tudo já estava sendo resolvido por Gilbervan na Justiça. Tenho uma filha da mesma idade com Gilbervam e ela não está podendo sair de casa porque corre risco de ser agredida pela população”, ressaltou a madrasta.

De acordo com o titular da 39ª DIP, delegado Eleandro Granja, a menina Grazielly é fruto de uma relação extraconjugal de Gilbervan o que o motivou a solicitar um exame de reconhecimento de paternidade. “Com base nos depoimentos de pessoas próximas da menina, Gilbervan nunca foi um pai presente e até duvidava se a menina era filha dele. Ele estava resolvendo na Justiça problemas de pensão alimentícia”, destacou.

Segundo Granja, das três linhas de investigação adotadas para chegar aos envolvidos, duas foram descartadas rapidamente porque não coincidiam com as circunstâncias do crime e com o laudo do Instituto Médico Legal (IML) que apontou morte por asfixia.

“Primeiro analisamos como um sequestro que poderia dar origem a um pedido de resgate, mas foi descartado porque a família não possui recursos financeiros. Depois por questão sexual. Porém, conforme o laudo, a menina não apresentava nenhum tipo de violência sexual. Então começamos a colher depoimentos e com base nas imagens de câmeras de segurança próximas da escola e de locais de acesso ao ramal conseguimos identificar o carro como sendo de Gilbervan”, explicou.

Durante as investigações, a equipe conseguiu o depoimento de uma testemunha chave para representar o mandado de prisão temporária. “Uma testemunha viu a menina sendo levada, inclusive, afirmou que foi uma mulher que a pegou. A mesma pessoa conseguiu anotar quase todos os dígitos da placa que conferem com o veículo de Gilbervan, um Siena verde de placas JXS-0069”, acrescentou.

Gilmara foi presa na casa da mãe dela, no Conjunto Alberto Simonetti, bairro Santa Luzia, em Autazes, por volta das 9h30. Gilbervan e Gilbermilson estavam escondidos, temendo represálias. Eles se entregaram no Fórum da Comarca de Autazes e foram conduzidos à 39ª DIP, por volta das 16h. A perícia encontrou munição dentro do veículo de Gilbervan.

O corpo de Grazielly dos Santos Costa foi encontrado no Ramal do Tumbira, por volta das 16h última sexta-feira (19/06), em estado de decomposição. Ela desapareceu na tarde de quarta-feira (17/06), quando retornava da escola, entre 12h30 e 13h.

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