04/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Delegado-geral afirma ter provas contra presos em Manicoré e soltos em Manaus. E lamenta que mandado de prisão virá tarde demais

Publicado em 06 de abril, 2015

O delegado-geral da Polícia Civil, Orlando Amaral, afirmou que em três de investigação foram acumuladas provas suficientes para levar à prisão os assaltantes presos em Manicoré. Os quatro – Jotacir José Souza da Silva, 43; Claudio Gomes da Silva, 37, conhecido como “Polaco”; Leoberto de Souza Leal, 27; e Leonardo de Souza, 19 –  foram soltos pelo juiz plantonista Erivan de Oliveira Santana, tão logo chegaram a Manaus.

“Não tenho dúvida de que a prisão preventiva será decretada. Só lamento que como eles são todos de outros estados, estão totalmente fora do alcance da polícia”, disse Amaral. O juiz expediu mandados de soltura alegando que o fato não era de competência da Comarca de Manaus, uma vez que o crime havia ocorrido em Manicoré, município distante 332 quilômetros em linha reta de Manaus.

Prisão

O titular da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (Derfd), Adriano Felix, disse que as prisões ocorreram no sábado (04/04), em uma pousada localizada na Avenida Eduardo Ribeiro, no município de Manicoré, quando os homens se preparavam para furtar caixas eletrônicos de uma agência bancária naquele local. “Com eles foram encontradas furadeiras, brocas de diamante, chave de fenda, discos de furadeiras e transformador”, informou Felix.

De acordo com o delegado, a quadrilha chegou ao município de Manicoré em um avião alugado, com diária no valor de R$ 4,5 mil. A aeronave estava à disposição do bando durante o fim de semana e o piloto também estava hospedado na mesma pousada que os homens.

quadrilha

Os quatro acusados foram presos no sábado e liberados no domingo.

Jotacir e Claudio, segundo o delegado, participaram de um roubo ocorrido no dia 19 de fevereiro deste ano, na sede da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Do local foram levados coletes balísticos e armas de grosso calibre, pertencentes aos seguranças do órgão, além de quantia em dinheiro não divulgada, levada de dois caixas eletrônicos arrombados pelo grupo.

“Após esse roubo iniciamos as investigações e tivemos a informação de que eles voltariam a agir, dessa vez em Manicoré. Foi quando decidimos abordá-los ainda no interior da pousada, uma vez que tínhamos conhecimento que eles poderiam estar armados e temendo uma possível reação deles, por proteção à população, atuamos antes da ação criminosa”, explicou Adriano.

Em depoimento, Leonardo, natural de Joinville (SC), confessou participação no crime e informou que chegou a Manaus no último dia 2. Além disso, confirmou que veio à cidade na companhia do primo Leoberto, também de Joinville, somente para cometer o furto em Manicoré.

“Como sou formado em cursos de ferramenteiro e metalúrgica, minha função no crime seria a de “cortador”. Ou seja, eu abriria os caixas com furadeira, juntamente com Leoberto. Claudio e Jotacir ficariam dando suporte, olhando o movimento próximo aos caixas. Seriam os olheiros”, revelou o jovem.

O titular da especializada explicou que os homens colocavam a furadeira no caixa eletrônico e faziam pequenos furos. Eles usavam, ainda, garrafas pet para isolar o som dos alarmes e passavam spray nas câmeras de segurança. “Não temos valor específicos, mas estimamos que eles lucravam indevidamente cerca de R$ 200 mil com cada caixa extraviado”, informou.

O grupo também é investigado por roubos à agência bancária no bairro Japiim, ocorrido no dia 14 de março desde ano, e à agência dos Correios localizada na Rua do Comércio, bairro Parque Dez, no último dia 30 de março. O delegado ressaltou, ainda, que Leoberto já havia sido preso pela Derfd em 2008, também por furtos a caixas eletrônicos.

Os homens foram autuados por associação criminosa, crime previsto no Art. 1º, parágrafo primeiro, da Lei nº 12.850/13. Ao término dos procedimentos cabíveis, eles foram encaminhados à Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, onde ficaram à disposição da Justiça até domingo, 5, quando foram liberados por meio de mandados de soltura.

A autoridade policial disse que as investigações sobre a participação da quadrilha em outros crimes irão continuar e que a decisão judicial que colocou o grupo em liberdade não afetará o empenho dos investigadores em continuar a prender e tirar de circulação os infratores.

 

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