23/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Inadimplência aumenta no país e especialista dá dicas de como se livrar das dívidas

Publicado em 10 de abril, 2014

Dois dados apresentados nesta semana apontam para o aumento da inadimplência no mês de março. Segundo dados da base de registros do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), o número de pessoas físicas inadimplentes subiu 6,58%. Para reforça a tendência, o TeleCheque também divulgou dados da Pesquisa Nacional sobre Liquidação de Cheques, que mostra que o índice de inadimplência voltou a subir em março, registrando aumento de 5,47% em relação ao mês anterior.
 


O educador financeiro Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira e autor do best seller Terapia Financeira e dos lançamentos Papo Empreendedor e Sabedoria Financeira, afirma que mesmo depois de seguidas quedas desses números nos meses anteriores, esses aumentos são motivos para preocupação, principalmente, diante da alta da inflação e dos juros, o que dificulta em muito a saída dos inadimplentes dessa situação.

Segundo Domingos, o grande problema é que a maioria das pessoas não foi ensinada a como utilizar e administrar de forma correta o dinheiro que passa por suas mãos e a consequência é endividamento frequente e desenfreado, que, muitas vezes, não é quitado, se transformando em inadimplência. “Esse é um círculo vicioso no qual milhares – independente da idade ou classe social – se encontram”, diz.

Domingos afirma que é importante ressaltar que não há problema algum em ter dívidas, o problema é estar inadimplente. “A dívida faz parte de nosso processo de consumo, assim, é preciso analisar se elas são frutos de um investimento realmente relevante (estudo, carreira, casa própria etc.), pois, se forem, é por um bom motivo, mas, caso não sejam, é fundamental rever as prioridades. Também é necessário ver a capacidade de arcar com esses compromissos, não se comprometendo mais do que seu padrão de vida permite.”

Para que essa situação mude – ainda que a longo prazo –, ele diz que é necessário a educação financeira na vida das pessoas, na grade curricular de escolas e principalmente nas faculdades. “Pode parecer surpreendente, mas nem o ensino básico nem os cursos superiores formam cidadãos conscientes e sustentáveis financeiramente, em sua grande maioria”.

Aos que já passaram da fase escolar, Domingos considera  importante procurarem se educar financeiramente com a ajuda de palestras, livros e cursos – alguns online e gratuitos –, que ensinam a substituir os velhos hábitos errôneos de como controlar as finanças. “O meu conselho é: pare de buscar desculpas para não fazer e procure se informar, mudando o quanto antes essa situação”, afirma.

Dicas do especialista

Reinaldo Domingos dá dicas para quem quer ficar livre das dívidas:

Quem está na situação de inadimplência sempre acha que não é possível sair dela, mas não é bem assim. É preciso ter calma, para colocar todas as contas no papel, analisar suas finanças, sabendo exatamente quanto e quando você pode começar a pagar. Só a partir daí é que se deve procurar o(s) credor(es) e tentar negociar.

Qualquer que seja a inadimplência, o consumidor deve investigar o que está levando ele a gastar mais do que ganha, somando as dívidas que não consegue pagar e que roubam recursos que deveriam ser destinados para a realização de sonhos. Fazer acordos para pagamentos de dívidas sem antes saber qual é a real capacidade de pagamento, sem cortar excessos, sem ajustar o orçamento ao verdadeiro padrão de vida é um grande risco, além de uma medida paliativa que apenas adia a solução da causa do problema.

Abaixo, algumas medidas para ajudar a quitar dívidas antes que se torne inadimplente e para reequilibrar as finanças.

Cheque especial – cheque especial é uma das mais altas taxas de juros praticadas no mundo. Procure o gerente da conta e proponha imediato cancelamento dessa linha de crédito, mesmo que esteja utilizando. Proponha troca por uma linha de crédito que não ultrapasse 3% de juros mensais. Caso esteja pagando 100 reais de juros ao mês, proponha um parcelamento do mesmo valor, com prazo alongado. Isto fará com que não tenha mais que pagar juros mensais de 10% – isso faz sua dívida dobrar a cada 7 meses. Caso o gerente não aceite, o melhor a fazer é poupar para uma futura negociação.

Cartão de crédito – busque negociação com operadora do cartão ou banco. Proponha um parcelamento com juros que não ultrapassem 3% ao mês, e que estas prestações caibam no orçamento financeiro mensal. Caso a operadora ou banco não aceitem, não faça acordos que não conseguirá cumprir. Mesmo que o nome seja negativado, guarde dinheiro mensalmente para uma futura negociação. Outra estratégia é buscar crédito com taxas mais baixas como, por exemplo, o crédito consignado. Mas atenção: não resolve trocar um credor por outro, é preciso resolver e atacar a verdadeira causa do desequilíbrio financeiro.

Financiamento de casa – Para a maioria dos brasileiros a compra da casa própria é um sonho que só é possível realizar adquirindo uma dívida – o financiamento imobiliário. Em boa parte dos casos, o que impede o pagamento das prestações da casa são os gastos supérfluos. Se está difícil pagar as prestações, o melhor a fazer, além de cortar excessos de gastos, é procurar a financiadora e propor um alongamento da dívida, adequando a prestação à real capacidade de pagamento. Caso não consiga a renegociação, estude a possibilidade de trocar esse imóvel por um de preço inferior.

Carro –  um veículo não é investimento e, sim, um bem de consumo. A prestação em si nem sempre é o motivo da dificuldade de custear esse bem – embora ao final do financiamento a pessoa tenha pagado por dois veículos e levado apenas um. O verdadeiro problema está na manutenção do veículo, cujo custo mensal equivale, em média, a 3% do valor do carro. A manutenção de um veículo de 20 mil reais, por exemplo, tem um custo de aproximadamente 600 reais mensais – gasolina, seguro, licenciamento, IPVA, entre outros. Portanto, é importante analisar o custo-benefício da compra do veículo. Se tê-lo é uma necessidade e está difícil pagar é melhor rever o orçamento e tentar renegociar o prazo da dívida com prestações que realmente caibam no bolso, considerando todas as demais despesas já assumidas. Se a renegociação também não for possível, o melhor é buscar um advogado e providenciar a devolução do veículo.

Veja mais notícias em Economia

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.