Procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT) e representantes da FIFA realizam nesta segunda-feira (16/12) uma visita técnica na Arena da Amazônia para verificar as condições de segurança e se direitos trabalhistas estão sendo cumpridos. A vistoria vai continuar nesta terça-feira (17/12).

Cerca de 1700 operários paralisaram as atividades em protesto por melhores condições de trabalho. Fotos: José Rodrigues
Parte das obras da Arena da Amazônia foi interditada pelo Justiça do Trabalho após a morte de dois operários. No último sábado (14/12), Marcleudo de Melo Ferreira, 22, que trabalhava na montagem da cobertura do estádio, morreu após cair de uma altura de cerca de 35 metros. No sábado, também morreu o operário José Antônio da Silva Nascimento, 49, de infarto cardíaco.
Após as visitas à obra, o MPT e a FIFA vão apresentar um laudo técnico sobre as condições de trabalho na construção. A partir daí, será avaliada a liberação das obras da Arena da Amazônia.
Greve
Cerca de 1700 operários fizeram greve nesta segunda-feira por maiores condições de segurança, pagamento de salários atrasados e redução das horas extras.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Civil de Manaus e do Amazonas, Cícero Custódio, mais de 150 acidentes de trabalho ocorreram, até o momento, na construção da Arena da Amazônia, com a morte de três operários.
Obras
Segundo o Governo do Estado, as obras de acabamentos nas áreas interna e externa da Arena da Amazônia tiveram prosseguimento nesta segunda-feira (16/12). Os serviços em altura, que envolvem o trabalho na cobertura do estádio, em andaimes e guindastes, seguem paralisados conforme determinação da Justiça do Trabalho do Amazonas, atendendo ao pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT).
A construção da Arena atingiu na última semana 93,31% de execução, segundo o Governo do Amazonas. Em nota divulgada à imprensa, a construtora Andrade Gutierrez afirma que cumpre todas as exigências de segurança do trabalho e que a família do operário Marcleudo de Melo Ferreira, que faleceu após cair da cobertura na madrugada de sábado, está recebendo toda a assistência da empresa em que trabalhava.
O coordenador da Unidade Gestora do Projeto Copa (UGP COPA), Miguel Capobiango Neto, disse que o impacto no cronograma da paralisação dos trabalhos em altura só poderá ser medido após a regularização das atividades em todas as frentes de serviço. “Hoje não houve nenhuma paralisação dos operários na Arena. No começo do dia, todos passaram por palestras e revisão dos procedimentos de segurança e depois seguiram para executar os trabalhos de solo, que estão autorizados pela Justiça”, afirmou o coordenador. Atualmente, pouco mais de dois mil trabalhadores atuam na construção da Arena.
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