POR ADRIANA COSTA
O reordenamento da cadeia produtiva da pesca de peixes ornamentais no Amazonas estará na pauta da reunião do Conselho Nacional de Pesca em Aquicultura (Conepe), nesta terça-feira (27), em Brasília. As propostas a serem apresentadas pelo Estado visam recuperar as vendas para o mercado internacional, reduzidas em mais de 60% nos últimos oito anos.
“Hoje, a comercialização soma 10 milhões de peixes ornamentais por ano, mas esse número já chegou a 30 milhões em meados de 2005”, lamenta o secretário-executivo de Pesca e Aquicultura da Secretaria de Estado da Produção Rural do Amazonas (Sepror-AM), Geraldo Bernardino, que representará o Amazonas no encontro em Brasília.
Bernardino destaca que, entre os pontos a serem abordados, está a regulamentação da venda do aruanã em sistema de cota. “A legislação brasileira proíbe a comercialização dos alevinos da espécie, liberada somente quando adulto”, destaca, ao explicar que o aruanã tem alto valor comercial no mercado externo. O secretário salienta, ainda, que os alevinos da espécie são vendidos no mercado informal e fazem parte da pauta de exportação de países vizinhos (Peru e Colômbia).
Outra questão, conforme Bernardino, é a implementação de planos de manejo de peixes ornamentais, a exemplo de como ocorre com o pirarucu, a fim de evitar o esgotamento de espécies, reduzir a intermediação na cadeia produtiva e ampliar o valor de mercado do pescado no mercado estrangeiro. “A partir do manejo, é possível fazer o rastreamento ao longo do trajeto entre o produtor e o exportador e certificar sua origem”, complementa o secretário-executivo de Pesca.
Dificuldades
Ele ressalta que a discussão em Brasília deve passar também pela falta de um laboratório para certificação sanitária dos peixes ornamentais, o que restringe o mercado importador para o Amazonas, e o alto custo para a exportação do pescado, mais especificamente a escassez de voos diretos para os países clientes.
Dentro desse objetivo de reorganizar a cadeia produtiva do peixe ornamental, na próxima semana, está programada outra viagem a Brasília para levar o projeto reformulado de um centro de acondicionamento e distribuição de peixe ornamental no município de Barcelos (a 405 quilômetros de Manaus). Aprovado no ano passado, o projeto, que será de parceria público-privada, passou por adequação de recurso necessário, a ser orçado em R$ 1,4 milhão.
O município de Barcelos é o principal polo produtor de peixe ornamental do Estado do Amazonas, ao envolver aproximadamente 1,5 mil famílias na atividade.
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