Uma manobra econômica, com grande repercussão política e histórica, ocorrida por conta da Guerra do Paraguai, também marca a história do 5 de Setembro e está esquecida neste feriado. Trata-se da Abertura dos Portos da Amazônia Interior, decretada pelo imperador Dom Pedro II, nesta data, em 1866. A lembrança é do pesquisador Alfredo Loureiro.
“Há duas datas comemorativas no 5 de Setembro. A primeira, claro, é a elevação do Amazonas à categoria de Província e a segunda a Abertura dos Portos da Amazônia Interior, meio esquecida, que motivou a construção do monumento da Praça São Sebastião”, disse Loureiro.
O imperador estava preocupado com a possibilidade de uma aliança entre a América do Norte, Peru e outros países sul-americanos com o Paraguai, com o qual os brasileiros tinham iniciado a guerra em 1862 e manteriam o conflito até 1870. Também cedeu às pressões dos ingleses, que queriam explorar os seringais dos rios Madeira, Purus e Juruá.
“O Monumento à Abertura dos Portos foi construído pela equipe do (artista plástico e escultor italiano) Domenico de Ângelis, que decorou o salão nobre do Teatro Amazonas”, disse o pesquisador. Ele acrescenta que os riscos das calçadas da praça São Sebastião, imitando o encontro dos rios Negro e Solimões, foram clonados pelo paisagista Roberto Burle Max, nos anos 1950, quando ele veio fazer os jardins e quadros do hotel Amazonas. “O branco é feito de Lioz de Cintra (arredores de Lisboa) e o preto foi substituído por basalto negro, que aflora na AM-010.
“A abertura da Amazônia Interior proveu, com navios a vapor, uma corrida para Oeste, maior que a norte-americana a partir dos trens de ferro. Milhares de barco de ferro subiram os rios, rumo aos seringais, em um movimento expansionista muito maior que o das Bandeiras paulista”, enfatiza o pesquisador.
Alfredo Loureiro é médico, empresário e proprietário do Laboratório Reunidos. Não confundir com Antônio Loureiro, irmão dele, historiador.
Ouça a entrevista completa de Alfredo Loureiro clicando neste link.
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