O senador Eduardo Braga está preparando a saída da liderança do Governo e vai usar a disputa da Prefeitura de Manaus para tentar encobrir o fracasso no posto. É o que afirma matéria do jornal carioca “O Globo”, na edição de hoje, sob o título ” Desgastado, Eduardo Braga, líder no Senado, deixará o cargo”. O ex-governador tinha marcado para ontem, à tarde, no Rio de Janeiro, uma conversa com o governador Omar Aziz, para definir os rumos da eleição municipal em Manaus.
Braga tem problemas internos no PMDB, onde enfrenta a ala comandada pelo líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), e o presidente da Casa, José Sarney. “O Globo” afirma que a própria presidente Dilma Rousseff teria ficado irritada com a condução da Medida Provisória 568, que reduzia em 50% os salários dos médicos empregados no Governo Federal. Ele disse que o Ministério do Planejamento fez uma “barbeiragem”.
Leia a matéria de O Globo, no site original, clicando aqui ou abaixo:
BRASÍLIA – Três meses depois de assumir a liderança do governo no Senado, como uma escolha da presidente Dilma Rousseff e sem apoio de seu partido, o PMDB, o senador Eduardo Braga (AM) encerra a lua de mel com o Planalto e deve deixar o cargo a pretexto de disputar a prefeitura de Manaus em outubro. A gota d’água na já desgastada relação do líder com o Executivo foi a votação, nesta semana, da Medida Provisória 568, cujo texto original reduzia em até 50% o salário dos médicos dos hospitais federais, e teve que ser corrigida antes de ser votada. O Planalto nega a saída de Braga.
O líder do governo foi o relator da MP e Dilma não gostou da forma como ele conduziu as negociações. Primeiro, Braga queria que o governo retirasse a MP do Congresso, e que não fosse feita apenas a correção do texto por meio de uma emenda. Ele não foi atendido e entrou em conflito com o Ministério do Planejamento. O senador declarou que a pasta havia feito uma “barbeiragem”. No final, a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) reconheceu que houve “erro”, e o governo retirou a parte do texto que reduzia salários.
Depois de um período em que mal era recebido pela presidente, Braga conversou com Dilma sobre a saída dele da liderança na última terça-feira. O senador afirma que decidirá sua saída até o dia 30, quando termina o prazo para convenções partidárias:
— Só saberemos (se serei candidato) no dia 30. Conversei com a presidente (sobre a saída ), e só no dia 30 tomaremos a decisão.
Em primeiro mandato, Braga, que já não tinha apoio da cúpula de seu partido, o PMDB, ganhou a antipatia de parte do Senado ao assumir a liderança do governo pregando novas práticas na política. Na bancada peemedebista, ele é da ala adversária ao líder Renan Calheiros (AL).
Mesmo com o discurso moralizador, o líder do governo tem como primeira suplente sua mulher, Sandra Backsmann Braga, como revelou O GLOBO em abril. Pôr parentes na suplência é uma prática típica de políticos tradicionais, e isso irritou Dilma.
A queda de Braga é um revés para a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), que patrocinou a derrubada do líder anterior, Romero Jucá (PMDB-RR). Com a saída de Braga, será aberta nova temporada de disputa pelo cargo.