Os professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) reúnem-se nesta terça-feira, às 9h30, na sede da Associação dos Docentes (Adua), para decidir se confirmam a participação na greve geral a ser deflagrada quinta-feira (17/05), nas Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes). A decisão foi tomada sábado (12/05), durante reunião na sede do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições Ensino Superior – Sindicato Nacional (Andes-SN), em Brasília. A greve foi aprovada com 33 votos favoráveis e três abstenções, dos docentes de 36 universidades públicas.
Na avaliação do presidente da Adua, Antônio Neto, a categoria deve confirmar adesão ao movimento paredista. “O trabalho que se fez ao longo desse processo, com diversas ações de mobilização, com panfletagem nas unidades acadêmicas, o uso dos mecanismos de comunicação do movimento e a própria força do movimento nacional, fez com que a categoria tomasse conhecimento do fato de que a negociação com o governo não avança há muito tempo”, disse.
Antônio Neto reconhece que o movimento poderá ter resistência por parte de alguns docentes, mas ressalta que setores mais “tímidos” já se mostram mais à vontade para aderir à greve. “Há muita indignação quanto à forma como o governo vem conduzindo as negociações, além das condições de trabalho precárias na Ufam e baixos salários no magistério superior”, completa.
Uma vez referendada pela categoria local, a reitoria deve ser notificada e as atividades serão suspensas por tempo indeterminado. O presidente da Adua avisa que deve ser instalada também uma assembleia local permanente e constituído o Comando Local de Greve (CLG). As atividades que sejam consideradas essenciais serão negociadas entre as instituições e os CLG. Na Ufam, a última greve ocorreu em 2005 e durou cerca de 70 dias.
Na quinta-feira (17) será instalado o Comando Nacional de Greve na sede do Sindicato Nacional, em Brasília. Neste mesmo dia, os servidores públicos federais realizam 24 horas de mobilização e paralisação geral da categoria.
Reivindicações
Tendo como referência a pauta da Campanha 2012 dos professores federais, aprovada no 31º Congresso do Sindicato Nacional e já protocolada junto aos órgãos do governo desde fevereiro, os docentes reivindicam a reestruturação da carreira – prevista no Acordo firmado em 2011 e descumprido pelo governo federal.
A categoria pleiteia carreira única com incorporação das gratificações em 13 níveis remuneratórios, variação de 5% entre níveis a partir do piso para regime de 20 horas correspondente ao salário mínimo do Dieese (atualmente calculado em R$ 2.329,35), e percentuais de acréscimo relativos à titulação e ao regime de trabalho. Atualmente, o vencimento básico de um professor federal é de R$ 557,51, para uma jornada de 20 horas semanais.
O acordo emergencial firmado entre o Sindicato Nacional e o governo, ano passado, estipulava o prazo de 31 de março para a conclusão dos trabalhos do grupo constituído entre as partes e demais entidades do setor da educação para a reestruturação da carreira. Mas, as negociações não avançaram.