06/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Arthur Virgílio afirma que dá a mão ao pior inimigo em defesa do Amazonas

Publicado em 28 de julho, 2011

Em uma cerimônia que lotou o plenário Adriano Jorge, o ex-senador Arthur Virgílio Neto recebeu hoje, às 11h, a Medalha de Ouro Cidade de Manaus, a mais alta condecoração do Legislativo Municipal. Em seu discurso de agradecimento, o ex-senador fez uma advertência para o grave momento da economia do Estado, com a publicação da Medida Provisória nº 534 pelo Governo Federal – que estendeu aos tablets as mesmas isenções fiscais concedidas a outros bens de informática -, e defendeu a repactuação do modelo Zona Franca de Manaus, como o envolvimento de governos, sociedade e trabalhadores, mesmo a custa de renúncias políticas. “Dou a mão a meu maior inimigo para defender o Amazonas”, afirmou.

Arthur falou para plenário e auditório lotados, fazendo ampla análise macroeconômica da Zona Franca

Arthur lembrou que faz cem anos que se deu o debacle da borracha, que já foi a base da economia do Amazonas. “Agora temos a Zona Franca posta em xeque, menos por insuficiências nossas, mais por políticas nacionais”, afirmou.

Durante seu discurso, que durou mais de uma hora, o ex-senador mandou um recado para os seus adversários políticos. “Em política, ninguém mata e ninguém morre. Quem pretendia me matar errou redondamente, eu estou mais vivo do que nunca”, disse. Ele informou que está enfrentando pressão do PSDB para sair candidato à Prefeitura de Manaus em 2012, mas que no momento não pensa em entrar nessa disputa diretamente.

Arthur também não poupou críticas ao ex-presidente Lula, como a de que ele nunca reconheceu os méritos dos seus antecessores em oito anos de mandato, e elogiou a presidente Dilma Rousseff por apresentar mais “civilidade” ao lidar com os ex-presidentes, reconhecendo o que foi feito por eles.

 

Emoção

O ex-senador se emocionou em vários momentos da solenidade. Um deles foi durante a leitura da carta enviada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, feita pelo seu filho, o deputado estadual Arthur Bisneto, que também ficou muito emocionado. Na carta, FHC – de quem Arthur foi ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República e líder do Governo no Congresso –  disse que espera “vê-lo de volta em breve às lutas democráticas que tanto precisam dele”. Outro momento de muita emoção para o ex-senador foi ao falar da amizade com FHC, de quem se diz grande admirador.

 

Lideranças

No início da cerimônia, o presidente em exercício da Câmara Municipal, vereador Massami Miki, leu várias mensagens de políticos que não puderam comparecer ao evento, como a dos senadores Aécio Neves, que está se recuperando de um acidente, e Lúcia Vânia; do governador do Paraná, Beto Richa; do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra; e do presidente da CMM, vereador Isaac Tayah, que está como prefeito de Manaus em exercício.

Autor da proposta de concessão da medalha ao ex-senador, o vereador Paulo De Carli disse que participou de muitas homenagens merecidas, mas que aquela era “a mais prestigiosa e prestigiada, não só pela qualidade do público, mas pela repercussão na mídia”.

Entre as lideranças nacionais presentes estava o ex-governador de São Paulo e candidato a presidente pelo PSDB, em 2010, José Serra, que ressaltou a amizade com Arthur e o desafio que ambos enfrentaram – Serra como ministro do Planejamento e Arthur como Líder do Governo – para moralizar a Suframa. “Ele faz falta para o Brasil, para o Congresso Nacional e para o Amazonas”, afirmou.

O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias, disse que Arthur é um exemplo de coragem e honradez na vida pública e que sua liderança extrapola os limites do Amazonas e chega a todo o Brasil. “Nunca vi ninguém que defendesse este Estado com tanto entusiasmo e amor como fez Arthur. E poucos defenderam bandeiras do povo brasileiro como ele. Hoje, estou líder no Senado, ocupando um lugar que lhe pertence”, disse, em referência aos oitos anos em que Arthur foi líder do PSDB no Senado.

A solenidade contou também com a presença do governador de Roraima, José Anchieta Jr.; do governador do Pará em exercício, Helenilson Pontes; do secretário da Casa Civil do Pará e deputado federal, Zenaldo Coutinho; dos senadores Álvaro Dias, Aluisio Nunes, Flexa Ribeiro; dos deputados federais Duarte Nogueira, líder do PSDB na Câmara, e Eduardo Azeredo; dos ex-senadores Carlos Alberto De Carli e Antero Paes de Barros; do deputado Abdalla Fraxe, representando a Assembleia Legislativa; do presidente do TJAM, Antônio Simões; do desembargador Flávio Pascarelli, presidente em exercício do TRE; do presidente do TRT da 11ª Região, Davi Alves Melo Jr; e do presidente da OAB-AM, Fábio Mendonça, além de vereadores, deputados, prefeitos, ex-prefeitos, entre outros.

Quando Arthur chegou à tribuna, para iniciar o discurso, a plateia se levantou e o aplaudiu demoradamente. “Foi uma homenagem tocante, especial, porque aqui é a minha cidade, o lugar pelo qual sempre lutei”, disse.

 

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