O acusado de estelionato Arkami Ali Mohamed Yacub, 45, foi preso hoje em Humaitá, em companhia de uma mulher loura, ainda não identificada, quando se apresentava como “doutor/ pastor Alexandre da Silva Campos”. Em Manaus, onde foi expedida a ordem de prisão, Arkami se dizia advogado, pastor, contador, juiz de paz e defensor público, atuando no bairro Alfredo Nascimento, Zona Norte, tomando dinheiro das pessoas na pele de pastor da igreja Assembléia de Deus Nova Vida, cujo pastor titular, Raimundo Alves, 46, também foi enganado.
Arkami Ali, nome que a polícia ainda não sabe precisar se é o verdadeiro, entrou na vida da igreja em março deste ano, dizendo que havia sido expulso de casa pela mulher adúltera. Raimundo o conhecia há mais de dez anos.
Em pouco tempo, ganhando a confiança da congregação, Arkami disse que havia sido aprovado na prova da OAB e se tornara advogado. Ele chegou a realizar um casamento coletivo e prometeu a cinco casais que daria documentos a serem expedidos pela Defensoria Pública, onde estaria trabalhando.
“Ele disse que era juiz de paz, mas quando perguntávamos por nossas certidões ele inventava desculpas”, disse à polícia o autônomo Odilon Oliveira, que só muito tarde descobriu que na verdade o matrimônio não foi válido.
O acusado de estelionato descobriu também um filão nas concessões de aposentadorias, quando obtinha todos os documentos dos interessados, prometia facilitar os trâmites no INSS e, pelo que tudo indica, obtinha benefícios para ele próprio.
Raimundo Alves e outro pastor, Olercindo Ferreira Rufino, 63, acreditaram que havia um benefício esperando por quem exercia o cargo de pastor por mais de 20 anos. Arkami não teria tido tempo para usar os documentos que subtraiu dos dois.
O capitão PM Márcio Leite, de Humaitá, que prendeu o estelionatário, disse que ele, depois de panfletar com o cartão de visitas na cidade, se preparava para viajar para Porto Velho (RO), devendo agora ser escoltado de volta a Manaus.
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