Marcos Santos, Manaus – O site do UOL, o Jornal Nacional, da Rede Globo, e todos os principais veículos de comunicação do Brasil deram destaque, nesta quinta-feira, à inauguração da maior ponte do mundo feita sobre o mar, que atravessa a baía de Jiaozhou, da cidade de Qingdao, na província chinesa de Shandong. Ela tem 36,48 quilômetros de extensão, foi construída em quatro anos e custou R$ 14,8 bilhões de yuans (cerca de R$ 3,6 bilhões). Logo choveram comparações com a ponte sobre o rio Negro, que vai completar quatro anos de obra, tem 3,6 quilômetros e custou R$ 1,070 bilhão.

Sabe aquela história de pescador, contando que o peixe era tão grande que só a foto pesava não sei quantos quilos? Pois a ponte da China é tão grande que nem cabe na foto
O blog foi procurar o secretário estadual da Região Metropolitana, Renê Levy, que viajou de madrugada, para indagar sobre as razões de números tão díspares. “A diferença está no custo dos insumos e da mão de obra que, na China, é muito menor que no Brasil. Tanto isso é verdade que qualquer produto chinês, comparado ao equivalente nacional, tem um preço infinitamente menor em solo brasileiro. Para uma comparação justa, precisaríamos buscar cada insumo empregado lá, frente aos adotados aqui em nosso País”, disse o secretário.

A ponte sobre o rio Negro, só o vão, custou R$ 811 milhões, mas aí vieram as defensas, a iluminação, os acessos viários... e o resultado é R$ 1,070 bilhão
O salário mínimo brasileiro, de R$ 545, vale, ao câmbio desta quinta-feira, US$ 346. O chinês é multifacetado, estabelecido por cada província ou Município, sendo o maior de US$ 188, em Pequim, e o menor de US$ 163, na maioria das províncias, com média de US$ 175,50.
Renê contesta o preço atribuído ao quilômetro da ponte sobre o rio Negro. “A obra de arte, a ponte propriamente dita – sem as defensas, iluminação e acessos viários – custou R$ 811 milhões”, enfatiza. É isso que deve ser dividido pelos 3,6 quilômetros, reforça o secretário. Dá R$ 225,27 o preço do quilômetro amazonense, contra R$ 98,7 milhões da ponte chinesa. Ainda assim, uma diferença quilométrica.
O secretário afirma que precisaria ver a profundidade do mar na área da ponte e detalhes técnicos como o tipo de fundação empregada, para uma comparação correta. “Os estais da nossa ponte, por exemplo, vieram da China. E custaram bem mais caro que os de lá, com os encargos e o transporte”, disse.
Os leitores do blog e ouvintes da CBN Manaus fizeram suas próprias comparações e expressaram grande indignação com as diferenças gritantes nos custos das duas obras. “Tem o custo Brasil, que é altíssimo, mas nós sabemos que a questão não é bem essa. Ninguém engole o preço da ponte sobre o rio Negro”, disse um leitor do blog. Leia mais no link “Leitor mete bronca”.
Asfaltamento
A ponte sobre o rio Negro, enquanto isso, segue em frente. Dia 15 inicia a pavimentação do trecho de 900 metros do acesso viário da margem direita do rio Negro (lado de Iranduba). “A terraplanagem e a imprimação asfáltica devem ficar prontas nos próximos dias e dia 15 (de julho) começa o asfaltamento desse trecho. A inauguração está confirmada para outubro, por determinação do governador”, informa Renê Levy.
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