Marcos Santos, Parintins – A alegoria da cobra-grande boiúna, do artista Rossi Amoedo, até o fim da segunda noite a melhor deste Festival Foclórico de Parintins, sofreu um princípio de incêndio na tarde de sexta-feira. Ninguém entendeu nada. Não havia qualquer sinal de material combustível por perto e, mesmo assim, quando um auxiliar viu o fogo estava começando. O sistema de segurança agiu rápido e os poucos danos causados foram reparados sem problema. A desconfiança de sabotagem de algum torcedor mais radical fez com que a diretoria do Caprichoso reforçasse os cuidados. No sábado, uma fita de isolamento foi colocada ao redor do lado azul da Praça dos Bois.
O Garantido manteve as coisas do mesmo jeito, ignorando as preocupações do bumbá azul e branco.
A tentativa de boicote e os cuidados com a segurança tinham razão de ser. Rossi, que foi levado do Caprichoso para a Beija-Flor, onde está há cinco anos, elevou o nível do item com essa alegoria da Lenda Amazônica da Cobra Grande – Boiúna. Feita em camadas, ela impactou ainda na montagem e foi se mostrando aos poucos, com cobras aparecendo por todos os lados, se movimentando, e abrindo espaço para a entrada da Rainha do Folclore, Brenna Dianná, imperceptível sob a camuflagem de floresta. Veja as fotos (clique em cada uma para ampliá-las) da alegoria e ouça a toada “Boiúna”, de Guto e Nado Kawakami e Ligiane Gaspar (clique no link do arquivo para ouvir):

No primeiro momento, uma cobra-cobra feita com placas, só descoberta quando a tribo que se escondia sob ela levantava

Passada a primeira fase, restava um esqueleto da primeira cobra no local. Mas isso era só mais um efeito, antes do gran finale

A alegoria completa, com cobras que surgiram de todos os lados, uma delas do que parecia ser apenas um esqueleto
O efeito da apresentação dessa alegoria foi tão impactante que o Caprichoso não conseguiu segurar o ritmo no restante da apresentação, na primeira noite. Ficou a impressão de que se a criação de Rossi Amoedo ficasse para o final, o bumbá conseguiria causar um impacto muito maior e manteria a apresentação num crescendo, que é o desejável.
O conjunto incluiu a interpretação de David Assayag para a toada “Boiúna”. Ouça, clicando no link abaixo:
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