A Águas do Amazonas obteve, não se sabe sob que condições, um grande ganho de imagem: o condomínio Alphaville, na Estrada do Turismo, nas proximidades da Ponta Negra, diferente de todos os demais condomínios da cidade, não fará poço artesiano para servir aos seus moradores e decidiu que oferecerá água do sistema público, ou seja, da Águas do Amazonas. A decisão, porém, mostrou que a empresa concessionária da Prefeitura não tinha sequer previsão de levar água para aquela área. Teve, portanto, que construir uma tubulação extra para atender ao condomínio.
O resultado é uma obra que rasgou o único asfalto novo que Manaus tem hoje, na avenida Coronel Teixeira, a Estrada da Ponta Negra, e na Avenida do Turismo. A empresa promete devolver o asfalto nas mesmas condições de tráfego anteriores (do que duvidê-ó–dó), mas a obra é um desastre (inclusive literalmente, como mostrarei abaixo).
A empresa chegou a emitir comunicado prometendo que os transtornos para usuários das vias durariam poucos dias (o feriado da Semana Santa). Só que o trabalho é feito apenas no horário normal de expediente e pára nos domingos e feriados. Não passa de duas dezenas de metros por dia. Veja como está neste domingo (01/05), que é como ficou nos outros dois domingos anteriores e nos feriados:

A seta à esquerda aponta as máquinas paradas, deixadas num canto, ocupando uma das pistas da apertada avenida. A seta da direita mostra a obra completamente parada (clique na foto para vê-la ampliada).
Essa lentidão, que não poderia ser tolerada, provoca acidentes. No sábado, pela manhã, um carro bateu em outro e este num poste, na via Centro-Ponta Negra, derrubando-o sobre a via Ponta Negra-Centro. Por milagre ninguém se feriu.

A seta à esquerda mostra o carro que bateu na traseira do outro; a do centro aponta o carro que bateu no poste; a da direita revela como o poste ficou atravessado na rua (clique na foto para vê-la ampliada)
Todos estamos muito esperançosos que Manaus mude com a experiência da Copa do Mundo. Tem coisas, no entanto, que podem e devem ser feitas desde sempre. Colocar ordem na casa e não permitir uma obra como essa, que representa perigo e se dá ao luxo de ser executada com toda essa lentidão, apenas para atender a um condomínio de luxo, por exemplo, é algo que ou fazemos, com Copa ou sem Copa, ou não vamos avançar nunca.
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