Para quem não entendeu a razão de o prefeito Amazonino Mendes elogiar o ex-prefeito Serafim Corrêa, alvo preferencial de seus ataques, até aqui, a explicação é simples: mudou o inimigo e para atacá-lo vale até elogiar o antigo desafeto.
Amazonino, por alguma razão, tem cultivado grande rancor pelo senador Eduardo Braga. Foi o atual prefeito quem deixou a Prefeitura para o senador, em 1994, quando disputou – e ganhou – o Senado Federal. Também o indicou e lhe deu apoio decisivo na primeira eleição para o Governo do Estado, em 2002, encerrando um ciclo que parecia interminável de derrotas eleitorais.
Por tudo isso, pelo que tudo indica, Amazonino não perdoa o fato de Braga ter recusado o repasse de recursos à Prefeitura, nos dois primeiros anos da atual administração municipal, asfaltando direto no lugar de dar o dinheiro para o prefeito e ex-padrinho asfaltar, contribuindo para empurrá-lo à incômoda impopularidade que o atormenta.
O prefeito, em sua mensagem de mudança de alvo, disse uma verdade incontestável: Manaus tem metade da população do Estado e não consegue o correspondente em dinheiro. O que não disse é que a cidade tem praticamente monopolizado os recursos estaduais, ao longo da História, com evidente prejuízo do interior.
Ocorre que, na volta do cipó da arueira no lombo de quem mandou dar – como diz Geraldo Vandré –, quem mora no interior tem como meta mudar para Manaus, inchando a periferia e trazendo todo tipo de problema e demanda urbanos, a começar pela sub-moradia, exigindo mais e mais investimentos, num ciclo perverso que empurra a qualidade de vida para o buraco.
A saída, para ajudar Manaus, é criar nichos de desenvolvimento no interior. E ao prefeito da Cidade-Estado cabe a tarefa de administrar bem os recursos que tem, fazendo funcionar saúde e educação básicas, mantendo as ruas transitáveis e o transporte coletivo andando.
Amazonino, Braga, Serafim, Omar, seja quem for o administrador de plantão, tem obrigações cada vez maiores com o futuro do Amazonas. O mea culpa de Amazonino (na linha do “Gastamos mal o dinheiro que o Brasil mandou pra cá, via renúncia fiscal da Zona Franca”) abrange 42 anos. Uma vida!
Deixamos de ser um Estado pobre. Há dinheiro para a capital e o interior. Usemo-lo bem.
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