Josildo Oliveira, presidente do Sindicato dos Rodoviários de Manaus, vai jogar motoristas e cobradores numa greve geral, dia 2/2, quarta-feira. A justificativa é que a licitação anunciada pela Prefeitura vai colocar em risco os empregos dos mais de 6 mil motoristas e cobradores da cidade. A verdade é que o presidente é um pelego deslavado e está fazendo o jogo dos atuais empresários do sistema, ou seja, qualquer coisa que impeça o fim da mamata de faturar o máximo oferecendo o mínimo de qualidade.
O que é o pelego? É o líder sindical que, no lugar de favorecer o trabalhador, para cuja defesa foi eleito, fica ao lado do patrão.
Josildo já comandou uma greve por reajuste no preço da tarifa. Foi quando os empresários disseram que só podiam pagar determinado reajuste à categoria se o valor da passagem fosse majorado. O presidente, pretextando outra vez a “defesa do interesse” da categoria, foi às ruas, paralisou o sistema, deixou milhares de trabalhadores sem condições de voltar para casa (a greve foi no meio do expediente) e obrigou o prefeito Amazonino Mendes a reajustar o preço, encarecendo ainda mais o custo de vida em Manaus.
Transporte coletivo é um problemão para o manauara. Todos são afetados por isso. Quem não usa ônibus fica preso no engarrafamento. Nenhum dono de carro tem coragem de deixá-lo na garagem para ir trabalhar utilizando o transporte coletivo. Essa parceria sindicato-empresários amarra a Prefeitura na mediocridade, transformando qualquer tentativa de solução numa manobra praticamente suicida, sob o ponto de vista político.
O empresário que hoje atua em Manaus quer tudo como está. É ele que põe menos ônibus na linha para amontoar passageiros nas paradas e levar os carros superlotados, todas as viagens. Isso aumenta o Índice de Passageiros por Kilômetro (IPK) – e quanto maior for, mais lucro para a empresa –, não importa se significa menos tempo com a família e carradas de estresse para milhões de trabalhadores.
O rodoviário é justamente quem mais é afetado. É ele o depositário do descontentamento do usuário. Não raro, motorista e cobrador têm que sair no braço com passageiro. Os salários atrasam e garantias trabalhistas, mesmo após os dissídios coletivos, são solenemente ignoradas pelas empresas.
Josildo Oliveira, com seu peleguismo deslavado, personifica o que há de pior nesse tipo de, digamos, “sindicalismo”. Não hesita em provocar sofrimento na população para cumprir o papel de instrumento dos piores empresários do sistema, aqueles aos quais não interessa a licitação ou qualquer coisa que ameace o faturamento deles.
Josildo vocifera contra quem quer que o conteste no sindicato. Quer brigar. Joga duro. Esgrima as ameaças de prisão que já sofreu como prova de coragem. Só acreditaria, particularmente, que se trata de um sujeito corajoso mesmo, se ele tivesse peito para fazer um movimento contra os empresários. Contra o trabalhador, como ele faz, é covardia.
Macho mesmo ele seria se orientasse os motoristas e cobradores a abrir as catracas para permitir que todos viajassem, um dia inteirinho, sem pagar a passagem.
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