Manaus tem jeito. A Europa, esburacada feito tábua de pirulito na II Guerra Mundial e hoje paraíso urbanístico para o Terceiro Mundo, conseguiu reestruturar-se exemplarmente, mesmo com a profunda depressão que se seguiu ao conflito. Milhares de anos de História nos separam, mas nós também temos que entrar em guerra para superar nossos males – contra corrupção, o provincianismo e a ignorância.
Há quem comemore a cidade ter atingido os 1.718.584 habitantes, segundo o Censo 2010. Esse é, porém, um marco perigoso, um aviso que não pode ser ignorado.
Os ecologistas já sabem a razão do desequilíbrio ecológico: a natureza tem capacidade de absorver determinado volume de dejetos da atividade humana e, quando esse limite é ultrapassado, começa a se deteriorar. O rio Negro, em frente a Manaus, corre em direção ao rio Amazonas, limpo e sedutor para os banhos de verão, até a Ponta Negra. Daí para a frente é por conta e risco do banhista.
Vem aí a Copa do Mundo, que traz o aceno de 300 mil empregos, nas atividades de infraestrutura para receber os turistas, o que deve atrair milhares de novos moradores, reativar o êxodo rural e a indústria da invasão.
O que vamos fazer? Ficar de braços cruzados não resolve nada.
A obra tem que ser conjunta. Por que não começar a utilizar a orla da cidade, em São Raimundo e Compensa, para equipamentos públicos e de lazer, aproveitando para criar uma estrutura de limpeza dos resíduos levados ao rio?
Isso é saneamento. O resto é desabamento.
Destruir Manaus foi uma obra conjunta. Reconstruí-la precisa reunir as gestões de vários prefeitos, num ano fazendo 100 metros de orla, noutro 200, noutro um quilômetro… dependendo da ousadia, disposição e amor à cidade de cada um. Só precisa começar imediatamente.
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