Vagava pelas ruas da Parintins da década de 1970 um neurastênico. Paletó colorido, voz rouca, sotaque bem caboclo – pra ser mais exato, de “caboco estorde” (bicho-do-mato, arredio, estranho, com dificuldade para entender a vida na cidade, estúrdio) –, era o alvo preferencial da meninada. Bullying, a palavra chique do momento, é pouco para descrever o que se fazia com ele. Louco. Numa palavra, era isso que todos achavam de Adolfo Lorido.
O cantor e compositor Pedrinho Ribeiro, porém, que é um sujeito estudado, investigou a vida de Adolfo. Sintetiza tudo num show de quase duas horas, que chegou a ser apresentado no Teatro Amazonas. Um espetáculo de humor para matar de rir, principalmente a nós, parintinenses, mas habilmente construído para alcançar o público em geral.
Pedrinho descobriu que Adolfo era filho de missionário espanhol com cabocla e, por trás da aparência ingênua das letras, tinha entendimento sofisticado da vida cabocla e uma forma original de expressar sentimentos. Dizia ter mais de mil músicas. Explorado ao máximo por nossa irreverência infanto-juvenil, revelou centenas delas.
Outro dia, no estúdio da CBN, Pedrinho gravava o “Sala de música” quando entrei na conversa. Pedi para que contasse um dos episódios mais hilários do Adolfo, envolvendo um tabu para ele, a questão da sexualidade (clic para ouvir a história e comentar).
Explico: Adolfo Lorido se dizia virgem. Quando a meninada insinuava qualquer coisa além disso, ele ficava uma fera. Atirava pedras. Criava uma correria desenfreada pelas ruas.
A história que Pedrinho conta não é conhecida de muitos. Só dos iniciados. Revela, por trás da irreverência e do humor, o gênio dessa figura que povoa nossas lembranças. Ouça:
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