O problema da água
Há três versões no mercado para o problema e solução do abastecimento d’água em Manaus. São as do ex-prefeito Serafim Corrêa, do prefeito Amazonino Mendes e do governador Eduardo Braga. Cada um puxa a brasa para sua sardinha. E isso é perfeitamente normal – eles são políticos e estamos em ano eleitoral.
O que salta aos olhos, porém, é que ninguém, nenhum administrador, desde a década de 1980, foi capaz de resolver essa questão.
Não é de hoje que a cidade banhada pelos rios Amazonas e Negro padece da falta d’água nas residências.
Antes, a Cosama, apelidada com toda justiça pelo povo de Colama, fez o que fez. Depois vieram os franceses, com a promessa de fazer com a água de Manaus o mesmo que fazem com os esgotos de Paris etc. & tal. Venderam tudo por US$ 1 (um dólar), desarmaram a barraca e foram embora.
Nasceu a Águas do Amazonas, com um estranho aval das autoridades da época.
Serafim, prefeito, ficou com o abacaxi de decidir se prorrogava o contrato com a empresa ou suspendia a concessão. Resolveu manter o contrato. Botou dinheiro da Prefeitura. Interferiu junto à Caixa Econômica para emprestar outra parte. Aumentou o preço da tarifa de água para ajudar a Águas do Amazonas a fazer caixa.
Vale um parênteses para dizer: Serafim foi mais fundo que qualquer outro na questão da água, se expondo, enfrentando uma guerra de mídia e impondo sua vontade. Exagerou na campanha eleitoral, quando disse que o problema do abastecimento estava resolvido e chegou a tomar banho de mangueira na Zona Leste para provar o que dizia. Mas que foi fundo, lá isso foi.
Chega Amazonino à Prefeitura. O processo de recuperação do sistema está em pleno andamento. A Águas do Amazonas promete que até o fim deste mês – quem ainda não perdeu a conta de quantas vezes o prazo para terminar o trabalho foi prorrogado que levante o braço!!!! – termina tudo, ou seja, 650 quilômetros de tubulação nova, 250 colocados durante a gestão Serafim, 400 na gestão Amazonino Mendes.
O governador Eduardo Braga, por outro lado, vai entregar dia 31 a nova tomada d’água, na Ponta das Lajes, perto do Puraquequara.
Braga afirma que esta é a solução para o abastecimento nas zonas Leste e Norte da cidade. Os especialistas dizem que o problema não é o volume produzido de água tratada, mas os 70% do total tratados na Ponta do Ismael e que se perde pelo caminho, sem chegar às casas dos consumidores.
Serafim começou o processo. Amazonino deu um tratamento menos carinhoso, digamos, à Águas do Amazonas e exigiu a aceleração da revitalização do abastecimento. A nova tomada d’água é necessária, mas como uma espécie de reserva para os próximos dez anos.
Os três fizeram, cada um em seu tempo e em sua esfera, algo para resolver o problema. Quem tem mais ou menos culpa no cartório pela situação o povo já sabe. Agora, o mais importante, os três vão comer o fígado dos dirigentes da Águas do Amazonas se, quando março chegar, o abastecimento não estiver resolvido?
Eis aí uma competição que vale a pena e que o povo deve acompanhar com lupa.
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