Quarta-feira, 25 de abril de 2018

João Branco, narcotraficante da FDN, é condenado a 30 anos e 2 meses pela morte de delegado. Outros réus somam penas de mais de 72 anos

Na sexta tentativa de julgar pelo crime do assassinato de delegado, João Branco foi condenado a 30 anos e dois meses de prisão na madrugada de hoje. Foto: Arquivo

O narcotraficante João Pinto Carioca, o João Branco, um dos líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN), foi condenado a 30 anos e 2 meses de prisão, em regime fechado, pelo assassinato do delegado da Polícia Civil, Oscar Cardoso. O crime ocorreu em 2014. A sentença foi proferida na madrugada deste sábado (14), por volta de 1h.

A Justiça começou ontem (13) a julgar quatro acusados de participação na morte. Além de João Branco, foram condenados Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, a 25 anos e 11 meses de detenção; Diego Bruno de Souza Moldes, que levou 25 anos e 11 meses; e Messias Maia Sodré, condenado a 21 anos e 4 meses.

Mais de 15 horas

Do início do julgamento até o fim, o julgamento levou quase 15 horas, e foram ouvidas oito testemunhas, de um total de 12, sendo duas delas confidenciais. Esta é a sexta vez que a Justiça tentava julgar os réus na Ação Penal nº 0232023-39.2014.8.04.0001.

A defesa dos réus alegou que vai recorrer da decisão. O juiz de Direito Rafael Cró Brito, da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, está presidindo os trabalhos e quatro promotores atuaram neste júri – Laís Freitas, Edinaldo Medeiros, Geber Mafra e Igor Starling.

A participação dos réus foi presencial, com exceção do acusado João Pinto Carioca, que foi interrogado por meio de videoconferência, uma vez que encontra-se no presídio federal de Catanduvas, interior do Paraná.

Em silêncio

Todos os réus permaneceram em silêncio durante o depoimento e a defesa alegou, entre suas teses, que a polícia teria armado uma trama para culpar o narcotraficante e o grupo pelo crime, que teria, na verdade, sido cometido por forças da própria Segurança Pública.

Segundo o Ministério Público, João Branco teria planejado a morte do delegado Oscar na tentativa de se vingar de quem havia participado de suposta tortura e estupro de sua companheira, e acreditava que o delegado, que fazia parte de um força tarefa da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), estaria envolvido.

Homicídio doloso

Oscar Cardoso foi executado com 20 tiros no dia 9 de março de 2014, quando estava numa peixaria, localizada no bairro de São Francisco, zona Sul de Manaus.

Os réus foram condenados pelos crimes de associação criminosa e homicídio doloso, por motivo torpe, meio cruel e por impossibilidade de defesa da vítima.

Crime planejado de dentro do Compaj

De acordo com os autos do processo, João Branco teria planejado o crime de dentro do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj). Os quatro réus, além de mais dois participantes que foram posteriormente assassinados, teriam utilizado um veículo Fiat Siena branco para efetuar o crime que depois foi incendiado na tentativa de ocultar a prova.

O júri desses quatro réus envolve o trabalho de 78 servidores, entre magistrado, promotores de Justiça, servidores do Judiciário, oficiais de Justiça, além de policiais militares e federais – estes devido à escolta do réu Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, que está preso no presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, e foi intimado a comparecer ao julgamento.

O Conselho de Sentença foi composto de sete jurados, sorteados um pouco antes do início do julgamento, e que decidem a culpabilidade ou não dos réus.

Veja também

Polícia deflagra operação “Tribunal do Crime” no Bairro da União e Parque Dez Onze mandados estão sendo cumpridos nesta manhã pela Polícia Civil e PM. Fotos: Divulgação Onze mandados de busca e apreensão, e de prisão temporária e preventiva, estão sendo cumpridos desde as primeiras horas desta quarta-feira (25) por policiais e equipes da Polícia C...
Primeiras testemunhas de acusação são ouvidas no caso Deusiane. PM foi morta dentro de quartel em po... Justiça ouve testemunhas do caso na primeira audiência, que demorou cinco horas, aproximadamente. Foto: Raphael Alves/ TJAM O juiz de Direito Luís Márcio Albuquerque, que responde pela Vara da Auditoria Militar da Comarca de Manaus, ouviu nesta terça-feira (24) o depoime...
TJAM condena Manaus Energia a indenizar cliente em R$ 5 mil por cobrança indevida Apelação teve como relator o desembargador Jorge Chalub, cujo voto foi pela condenação da empresa a indenizar cliente por cobrança indevida. Foto: Arquivo TJAM A 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça (TJAM) negou provimento a um recurso de apelação interposto pela empre...
Justiça determina ingresso de enfermeiro paraplégico aprovado em concurso da Susam Estado foi condenado a indenizar autor da ação em R$ 10 mil a título de danos morais. Enfermeiro sofreu acidente após passar em concurso público. Foto: Divulgação A 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do Amazonas negou provimento a um Recurso Inom...
Juiz determina que Prefeitura de Tefé inicie obras emergenciais de asfaltamento sob pena de multa di... Juiz Luíz Cláudio Chaves concedeu liminar em ação civil pública para que prefeitura realize serviços emergenciais de tapa-buraco e recapeamento em Tefé. Foto: Arquivo TJAM A Prefeitura Municipal de Tefé (distante a 523 quilômetros de Manaus) deverá realizar de forma emer...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Facebook