A história política do Amazonas e o axioma de Tiririca proposto para 2018

A história política do Amazonas e o axioma de Tiririca

A história política do Amazonas e o axioma de Tiririca. Quem será “o novo”, depois de Amazonino ter convencido que era ele, em 2017?

O Amazonas está diante de um paradoxo para 2018: ou segue permitindo escolhas feitas em gabinetes ou parte para a aventura de algo novo. Tiririca, eleito duas vezes deputado federal, propôs o que parecia um axioma e se revelou um sofisma, ilusão da verdade. O jargão dele foi “vote em Tiririca, pior que tá não fica”. Aí veio Dilma e conseguiu provar que podia ficar pior sim. Como marchará o maior Estado do Brasil, diante do desafio da escolha do novo governador este a

“A história se repete, primeira vez como tragédia e segunda como farsa” (Karl Marx, Dezoito Brumário de Louis Bonaparte, 1852).

O Amazonas está eivado de governadores nomeados em períodos ditatoriais. Os mais recentes, da Ditadura de 1964, são: Arthur César Ferreira Reis, Danilo Areosa, João Walter, Henoch Reis, José Lindoso e Paulo Nery.

O período que se seguiu, a partir de 1983, quando Gilberto Mestrinho retornou do exílio e se tornou governador, é de nomeações civis. Ou “democráticas”. Repete “Quadrinha”, de Carlos Drummond de Andrade:

Gilberto Mestrinho apoiou e elegeu Amazonino (1986);

Que apoiou e elegeu Gilberto Mestrinho (1990);

Que apoiou e elegeu Amazonino (1994);

Que apoiou e elegeu a si próprio (1998);

Que apoiou e elegeu Eduardo Braga (2002);

Que apoiou e elegeu a si próprio (2006);

Que apoiou e elegeu a Omar Aziz (2010);

Que apoiou e elegeu José Melo (2014);

Que, lembrando o “Dezoito Brumário…”, se transformou em tragédia.

 

‘Pior que tá não fica’

O axioma de Tiririca, se axioma fosse, diria que qualquer sucessor de Amazonino, inclusive ele próprio, não conseguirá piorar. De tão ruim que as coisas estão. Mas José Melo provou que pode piorar sim. E muito.

A questão é quem será o tal “novo”, que todas as pesquisas apontam como favorito na próxima eleição.

Amazonino provou, em 2017, que isso é questão de marketing. Mais antigo governador do Amazonas vivo, ele convenceu o eleitor que era esse tal novo. Mais: que conseguiria “arrumar a casa” no mandato de pouco mais de ano, com impedimentos eleitorais cinco meses após a posse.

 

O novo vem dando certo há algum tempo.

Arthur Virgílio rompeu com Mestrinho, em 1986, perdeu o governo para Amazonino e ganhou a Prefeitura do próprio Mestrinho (1988).

Eduardo Braga foi prefeito por ter “herdado” a Prefeitura de Amazonino, quando este decidiu disputar o Governo. Depois, rompido com “o chefe”, concorreu à Prefeitura em 1996, ao Governo em 1998 e novamente à Prefeitura em 2000. Manteve o nome “quente” e se tornou inevitável, voltando aos braços de Amazonino e se elegendo, em 2002.

Serafim Corrêa foi vice de Arthur Virgílio em 1986 e de Eduardo Braga em 1998, na disputa do Governo. Disputou a Prefeitura em 1996. Perdeu todas, mas se viabilizou para chegar a prefeito, em 2004.

Há muitos exemplos de “novos” calejados pelas derrotas, no Amazonas. O próprio Lula, nacionalmente, ganhou por insistência, após derrotas para Collor (uma) e FHC (duas).

Marcelo Ramos é o exemplo mais recente. Disputou Prefeitura e Governo do Estado. Foi para o 2º Turno na reeleição de Arthur Virgílio, em 2016. Só tomou um “tropeção” partidário ao aceitar a vice de Eduardo Braga na eleição tampão. No lugar de turbina virou âncora na candidatura do ex-adversário.

 

Esperança

A sociedade amazonense está desorganizada. O Sindicato dos Rodoviários, buscando força para negociar com o prefeito, brincou de parar a cidade. Ninguém se moveu. O comércio, prejudicado até à medula, ficou mudo.

José Melo, no auge da mediocridade, elevou o Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A lição ortodoxa sempre foi diminuir os impostos para gerar empregos. A Zona Franca de Manaus perdeu quase 50% dos empregos. Isso gerou crise sem precedentes. Melo majorou a alíquota para melhorar o fundo social gerido pela ex-primeira-dama Edilene Oliveira. Que está presa. Com ele.

A esperança do Amazonas repousaria no mínimo de organização das classes empresariais e dos sindicatos. Mas imperam lideranças ultrapassadas, mergulhadas em privilégios que consideram direitos. A maioria faz pesquisas e pesquisas buscando saber quem vai ganhar, para manter os benefícios pessoais. Nunca para buscar quem possa melhorar as condições do Estado.

 

Aventureiro e peitudo

O “novo” então terá que ser, obrigatoriamente, um aventureiro. Um “peitudo”. Alguém capaz de criar teses factíveis e motivar a sociedade a perfilar com ele.

Surgirão, como é comum em tempos assim, candidaturas que resultam apenas de egocentrismos e falta de conhecimento das próprias possibilidades. Essas nascem fracassadas.

 

Amazonin0 e Arthur

O novo, porém, viabilizado, moderno, ousado, articulado, terá que enfrentar a máquina. Aí as coisas dependerão muito da vontade do governador Amazonino Mendes e do prefeito Arthur Virgílio.

Os mais próximos dizem que Amazonino está oscilante. Um dia parece querer ser o candidato. No outro, não mais. Num terceiro, acena com Bosco Saraiva como seu preposto.

Arthur Virgílio se vê às voltas com a pré-candidatura a presidente da República. Parece ter iniciado tudo como balão de ensaio. O PSDB, no entanto, é tão confuso que defenestrou João Dória e está a um passo de defenestrar Geraldo Alckmin.

O prefeito de Manaus, com os pés no chão, sabe que precisa de uma carta eleitoral na manga para 2018. Essa carta pode ser o vice-prefeito Marcos Rotta. Este, filiado ao PSDB, depende inteiramente do titular e dá mostras de sobras da confiança que deposita nele.

O cenário dos sonhos, para quem aposta no “novo”, seria um confronto Bosco Saraiva x Marcos Rotta. Aí o axioma de Tiririca volta na forma de síndrome a ser evitada. E para mostrar aos dois o tamanho da responsabilidade que pode vir logo aí à frente.

Aguarde-se o momento das convenções.

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